Irmãos Batista acertam compra da Avibras, fabricante brasileira do sistema ASTROS e de mísseis de longo alcance
há 10 minutos
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Divulgação/A Avibras, uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa, pode entrar em uma nova fase sob o comando dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O acordo prevê a aquisição de 100% da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco. A operação ainda depende da aprovação do Cade.
Os empresários Joesley e Wesley Batista chegaram a um acordo para adquirir 100% da Nova AVB S.A., controladora da Avibras Aeroco, empresa brasileira responsável por tecnologias estratégicas de defesa, como foguetes, mísseis, sistemas de artilharia e componentes de propulsão.
A operação será realizada por meio da Globe Investimentos, veículo de investimentos da família Batista. O valor da transação não foi divulgado e a mudança de controle ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do cumprimento de outras condições previstas no acordo.
A negociação ocorre em um momento decisivo para a Avibras, que busca recuperar sua capacidade produtiva após anos de crise financeira, paralisações e recuperação judicial.
Avibras concentra tecnologias estratégicas
A companhia é conhecida principalmente pelo Sistema ASTROS, utilizado pelo Exército Brasileiro e exportado para outros países.
O sistema reúne plataformas móveis capazes de lançar diferentes tipos de foguetes e mísseis. Entre os projetos de maior alcance está o Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300, que pode atingir alvos a aproximadamente 300 quilômetros, dependendo da configuração operacional.
O programa é considerado estratégico para a capacidade brasileira de ataque de longo alcance. O MTC-300 e o ASTROS foram inclusive citados recentemente em discussões na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados relacionadas ao futuro da empresa.
Além do setor de artilharia, a Avibras possui histórico de desenvolvimento de foguetes, sistemas de defesa antiaérea, eletrônica, propulsão e tecnologias espaciais.
A empresa também participou de projetos envolvendo motores-foguete e veículos suborbitais. Entre as tecnologias associadas à companhia está o motor sólido S50, desenvolvido para aplicações espaciais.
Nova estrutura foi criada durante a recuperação
A operação envolve a estrutura criada durante o processo de reestruturação da companhia.
A Avibras Aeroco passou a concentrar ativos industriais, instalações, propriedade intelectual e programas tecnológicos. A Globe pretende adquirir a Nova AVB, holding que controla essa estrutura operacional.
A reorganização foi utilizada como parte do processo de recuperação da empresa, permitindo separar a nova operação de obrigações acumuladas durante a crise financeira da antiga estrutura.
Empresa foi reconhecida como estratégica para a Defesa
Outro fator que reforça a importância da negociação é o reconhecimento da Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa.
O credenciamento foi formalizado em maio, por meio da Portaria GM-MD nº 2.889. A nova companhia também possui projeto classificado como Produto Estratégico de Defesa relacionado ao Sistema Míssil Superfície-Superfície AV-SS-100.
O status de EED é atribuído a empresas consideradas relevantes para a Base Industrial de Defesa brasileira, especialmente aquelas envolvidas no desenvolvimento de produtos e tecnologias de interesse estratégico.
Batistas já haviam investido na recuperação
A entrada dos irmãos Batista no negócio não começou com o acordo de aquisição.
Joesley Batista já havia participado de uma captação privada de R$ 300 milhões, destinada a financiar a retomada da empresa. O investimento contribuiu para a reativação da produção após um longo período de paralisação.
A crise da Avibras se agravou a partir de 2022, quando a companhia entrou em recuperação judicial com aproximadamente R$ 600 milhões em dívidas.
O período também foi marcado por uma longa paralisação dos trabalhadores. Após acordos relacionados ao passivo trabalhista, a nova estrutura conseguiu retomar as atividades industriais em Jacareí, no interior de São Paulo, em 2026.
Congresso acompanha mudança de controle
A negociação ocorre ainda em meio a preocupações no Congresso Nacional sobre o futuro das tecnologias desenvolvidas pela empresa.
Em 12 de agosto, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprovou requerimento solicitando informações ao Ministério da Defesa sobre o processo envolvendo a Avibras.
Entre os pontos levantados está a necessidade de preservar ativos tecnológicos considerados estratégicos para a indústria brasileira de defesa.
Durante a crise da empresa, também houve interesse de grupos estrangeiros na aquisição da companhia. O acordo anunciado agora mantém a nova estrutura sob controle brasileiro.
Compra ainda depende do Cade
Apesar do acordo entre as partes, a aquisição ainda não foi concluída definitivamente.
A operação precisa passar pela análise do Cade, além de cumprir outras condições previstas na transação.
A expectativa é que a mudança de controle permita à Avibras avançar na retomada da produção, preservar sua capacidade tecnológica e ampliar sua atuação nos mercados brasileiro e internacional.
Com o acordo, os irmãos Batista passam de investidores envolvidos na recuperação financeira da empresa para potenciais controladores de uma das principais companhias da Base Industrial de Defesa do Brasil, responsável por projetos como o ASTROS, mísseis, foguetes e tecnologias de propulsão.
Sugestão de título mais forte:Irmãos Batista avançam para assumir controle da Avibras, gigante brasileira de mísseis, foguetes e sistema ASTROS
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