Irregularidades por agrotóxicos em alimentos caem ao menor nível desde 2017
17 de dez. de 2025
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Resíduos de agrotóxicos em alimentos registram menor índice de irregularidades desde 2017, aponta Anvisa.
O número de amostras de alimentos de origem vegetal com perfil insatisfatório quanto à presença de resíduos de agrotóxicos atingiu, em 2024, o menor patamar dos últimos oito anos. Os dados constam no relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com o levantamento, 20,6% das amostras analisadas apresentaram algum tipo de não conformidade, índice mais baixo desde 2017. O resultado indica melhora nas práticas agrícolas e maior adequação ao uso correto dos defensivos no campo.
As chamadas inconformidades ocorrem quando são identificados agrotóxicos não autorizados para determinada cultura, produtos proibidos ou nunca aprovados no Brasil, ou ainda quando os resíduos ultrapassam o Limite Máximo de Resíduos (LMR) estabelecido pela Anvisa. A principal irregularidade encontrada segue sendo o uso de agrotóxicos sem indicação para a cultura analisada.
O relatório também aponta a detecção pontual de agrotóxicos proibidos no país em três amostras e de produtos não registrados no Brasil em outras 13. Segundo a Anvisa, essas situações indicam descumprimento das orientações técnicas e legais para aplicação dos produtos.
Avaliação de riscos à saúde
A Anvisa utiliza metodologia recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar os riscos à saúde do consumidor, considerando dois cenários: risco agudo e risco crônico.
O risco agudo, associado ao consumo pontual de grandes quantidades de um alimento com alto nível de resíduo, foi identificado em 12 das 3.084 amostras analisadas no ciclo de 2024. Isso representa 0,39% do total e confirma a tendência de queda observada na última década.
Já o risco crônico, que avalia a ingestão diária de resíduos ao longo da vida, não foi identificado. O cálculo considerou mais de 28 mil amostras, 36 tipos de alimentos e 345 agrotóxicos diferentes, sem que a Ingestão Diária Aceitável (IDA) fosse ultrapassada.
Monitoramento e importância do PARA
O PARA é um programa nacional que monitora resíduos de agrotóxicos em alimentos consumidos no Brasil, com o objetivo de avaliar riscos à saúde e subsidiar ações de fiscalização, revisão de limites e possíveis restrições ou proibições de uso. A seleção dos alimentos leva em conta os dados de consumo do IBGE, e as coletas são feitas pelas vigilâncias sanitárias locais em diferentes regiões do país.
O plano atual do programa, que vai de 2023 a 2025, prevê três ciclos anuais de coleta e análise, abrangendo cerca de 80% dos alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira.
No ciclo de 2024, foram analisadas 3.084 amostras de 14 tipos de alimentos, entre eles abobrinha, banana, cebola, laranja, maçã, milho, soja, trigo e uva. Do total, 79,4% estavam sem resíduos ou dentro dos limites permitidos. Nos últimos 15 anos, os dados do programa subsidiaram a reavaliação de 17 agrotóxicos, resultando no banimento de dez, restrição de uso de seis e manutenção de apenas um sem revisão.
Orientações ao consumidor
A Anvisa reforça que frutas, verduras e legumes são essenciais para uma alimentação saudável. Para reduzir riscos, a recomendação é lavar bem os alimentos em água corrente, utilizar escova própria quando possível, dar preferência a produtos da época e com rastreabilidade. A higienização com hipoclorito ajuda a reduzir riscos microbiológicos, mas não elimina resíduos de agrotóxicos.
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