Irã ameaça ampliar retaliação e inclui centros de inteligência artificial entre possíveis alvos
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Autoridades do Irã ameaçaram ampliar a lista de alvos em caso de retomada da guerra contra os Estados Unidos e Israel, incluindo centros de dados, instalações de inteligência artificial (IA) e cabos submarinos de internet. Teerã afirma estar mais preparado para enfrentar uma nova ofensiva e diz que poderá atingir infraestruturas estratégicas em diferentes países da região.
As declarações foram feitas em meio à possibilidade de os Estados Unidos retomarem os bombardeios contra o território iraniano após as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. O presidente americano, Donald Trump, deu sinais de que novas operações militares podem voltar a ser consideradas, enquanto assessores do governo elaboram opções de ataque em conjunto com Israel.
Entre os cenários discutidos por autoridades americanas está o uso da chamada “mãe de todas as bombas” contra instalações nucleares e estruturas de energia do Irã. A possibilidade foi mencionada por fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela imprensa americana, mas não significa que Trump tenha autorizado uma nova ofensiva.
Irã afirma ter aprimorado sua capacidade militar
O comandante-chefe do Exército iraniano, major-general Amir Hatami, afirmou que o país alcançou um nível significativo de maturidade no desenvolvimento de drones e sistemas não tripulados.
Segundo Hatami, Teerã avaliou as capacidades militares de seus adversários e se preparou para enfrentar um conflito assimétrico, estratégia que busca compensar diferenças de poder militar por meio de métodos e recursos específicos.
O comandante declarou que o Irã adquiriu equipamentos necessários para esse tipo de confronto e estaria em melhores condições para responder a uma nova guerra.
O responsável pela segurança iraniana, general Mohsen Rezaei, também afirmou que o país está preparado para ampliar suas ações retaliatórias e atingir um conjunto maior de alvos estratégicos na região.
Em entrevista por escrito ao veículo Drop Site, publicada em 22 de outubro, Rezaei foi questionado sobre a capacidade iraniana de continuar utilizando mísseis e drones. Ele respondeu que o país mantém essa capacidade e que, em caso de retomada da guerra, teria um plano mais abrangente.
Rezaei também citou a possibilidade de ataques contra ativos americanos no Oriente Médio. Segundo ele, cabos de comunicação, centros de dados e instalações de inteligência artificial poderiam ser atingidos caso o conflito fosse retomado.
Centros de dados entram no cálculo militar
A inclusão de instalações de inteligência artificial entre os possíveis alvos amplia a preocupação com a segurança da infraestrutura tecnológica. Centros de dados concentram equipamentos e sistemas que sustentam serviços digitais, armazenamento de informações e operações de computação de alto desempenho.
Ataques a essas estruturas poderiam provocar interrupções em serviços e afetar atividades econômicas, dependendo da localização, da extensão dos danos e da capacidade de recuperação dos sistemas.
Os cabos submarinos de internet também são considerados infraestrutura estratégica porque transportam grande parte do tráfego internacional de dados. Danos a essas conexões poderiam prejudicar a comunicação entre países e aumentar a pressão sobre rotas alternativas.
As ameaças iranianas não se limitam à infraestrutura digital. Autoridades do país também mencionaram instalações de petróleo e gás, que desempenham papel central na economia do Oriente Médio e no abastecimento mundial de energia.
A possibilidade de ataques a essas estruturas aumenta os riscos de repercussões econômicas internacionais, especialmente em um contexto de tensão nas principais rotas de transporte de petróleo.
Estados Unidos estudam novas opções de ataque
A ameaça de retaliação ocorre enquanto integrantes do governo Trump discutem alternativas militares para pressionar Teerã. Segundo autoridades americanas citadas pela imprensa, os planos incluem possíveis ataques à infraestrutura energética e a instalações nucleares iranianas.
Uma das opções em análise envolve a GBU-43/B Massive Ordnance Air Blast, conhecida como MOAB ou “mãe de todas as bombas”. Trata-se da maior bomba não nuclear do arsenal americano, e seu eventual emprego representaria uma escalada significativa.
Trump afirmou repetidamente que o fim decisivo da guerra estaria próximo, mas seus assessores também discutiram cenários para uma nova rodada de ataques após as eleições de meio de mandato.
Até o momento, a existência desses planos não significa que uma decisão definitiva tenha sido tomada. A possibilidade de uma nova ofensiva permanece ligada aos cálculos militares e políticos de Washington.
Risco de uma escalada regional
O Irã vem ameaçando ampliar sua retaliação caso os ataques sejam retomados. O governo de Teerã busca demonstrar que um novo confronto poderia atingir não apenas instalações militares, mas também estruturas econômicas e tecnológicas de importância regional.
A expansão dos possíveis alvos aumenta o risco de que uma nova rodada de hostilidades ultrapasse as fronteiras iranianas e provoque impactos sobre países vizinhos, mercados de energia e redes de comunicação.
Nesse cenário, as ameaças contra centros de dados, instalações de IA e cabos submarinos representam uma dimensão adicional do conflito: a possibilidade de que infraestruturas essenciais à economia digital sejam envolvidas em uma escalada militar.
Apesar das declarações de autoridades iranianas e da elaboração de planos militares americanos, não há confirmação de que novos bombardeios tenham sido autorizados. A situação continua marcada pela incerteza, enquanto os dois lados sinalizam preparação para a possibilidade de retomada dos combates.
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