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Irã ameaça Ucrânia após ataque a navio, e analista avalia risco de guerras se unirem

  • 28 de jul.
  • 3 min de leitura
Reprodução
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O ataque a uma embarcação comercial iraniana no Mar Cáspio elevou a tensão entre Teerã e Kiev e trouxe novamente à discussão a possibilidade de os conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu acabarem conectados. A ação ocorreu no sábado (25), em uma região que liga o norte do Irã ao sul da Rússia, e, segundo o governo iraniano, deixou um marinheiro morto e outro ferido.

O Irã classificou o episódio como um ato de agressão “hostil e criminoso” e acusou a Ucrânia de tentar ampliar a guerra. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que o ataque foi “absolutamente ilegal e injustificável” e alertou para possíveis “consequências imprevisíveis”. O chanceler Abbas Araghchi também prometeu uma resposta e acusou Kiev de agir a mando de Israel para tentar envolver a Europa no conflito do Oriente Médio.

No mesmo dia, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a Rússia estaria fornecendo ao Irã informações obtidas por satélites sobre posições militares no Oriente Médio. De acordo com Zelensky, os dados seriam utilizados para planejar ataques na região. Ele disse que satélites russos teriam monitorado quatro bases militares, duas no Bahrein, uma na Jordânia e outra no Kuwait, países que foram alvo de ataques iranianos nas últimas semanas. Na segunda-feira (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que questionaria o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a denúncia.

As tensões ocorrem enquanto os dois conflitos passam por momentos de escalada. No Oriente Médio, Irã e Estados Unidos voltaram a trocar ataques sem conseguir avançar em um acordo para encerrar a guerra. No Leste Europeu, Rússia e Ucrânia também intensificaram os bombardeios. Para o especialista em relações internacionais Uriã Fancelli, embora existam pontos de contato entre os conflitos, a possibilidade de uma guerra única ainda é considerada baixa, já que Rússia e Estados Unidos não teriam interesse em assumir os custos de uma escalada direta.

As duas guerras, porém, já apresentam conexões. Desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022, Moscou utiliza drones desenvolvidos pelo Irã contra alvos ucranianos, enquanto Kiev conta com sistemas de defesa fornecidos pelos Estados Unidos. Quando Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro deste ano, a Ucrânia ofereceu ajuda para interceptar drones iranianos em países do Oriente Médio atacados por Teerã.

Outro elo surgiu após informações divulgadas pela Reuters indicarem que os Estados Unidos teriam indícios de que a Rússia ajudou o Irã em ataques contra instalações de inteligência americanas no Oriente Médio. Segundo a agência, pelo menos duas instalações da CIA foram atingidas em março, e autoridades afirmaram que Moscou teria contribuído para aumentar a precisão dos drones iranianos e auxiliar na escolha dos alvos.

Na avaliação de Fancelli, a União Europeia também tenta explorar a ligação entre os conflitos ao defender que pressionar a Rússia poderia reduzir a capacidade de apoio de Moscou ao Irã. Teerã, por sua vez, acusa a Ucrânia de atuar como instrumento de Israel para envolver a Europa na guerra. Já a Rússia, segundo o especialista, buscaria dosar seu apoio ao Irã para desgastar e distrair os Estados Unidos.

Apesar das conexões, o analista considera que os principais envolvidos ainda têm motivos para manter as guerras separadas. Uma unificação dos conflitos poderia gerar custos elevados para todos, incluindo perda de margem de autonomia para a Europa, riscos para o canal de diálogo entre Trump e Putin e uma ameaça maior à sobrevivência do regime iraniano. Fancelli, porém, avalia que esse equilíbrio é frágil e que o ataque ao navio iraniano demonstrou como a escalada pode sair do controle. Caso Teerã cumpra a ameaça de retaliar a Ucrânia, os países que apoiam cada lado poderão ser pressionados a ampliar seu envolvimento, criando o risco de uma fusão dos dois conflitos não por decisão planejada, mas por uma sequência de escaladas.

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Gazeta de Varginha

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