Jovens indianos exigem libertação de manifestantes presos após protestos que levaram à renúncia de ministro
27 de jul.
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O Partido Popular das Baratas (CJP), movimento formado por jovens indianos que liderou semanas de protestos no país, exigiu nesta segunda-feira (27) a libertação de todos os manifestantes detidos durante as mobilizações. O grupo também pediu que todas as acusações contra os presos sejam retiradas imediatamente.
“Nossa decisão de suspender os protestos foi tomada unicamente com base nas promessas do governo”, declarou Saurav Das, porta-voz do partido, em uma publicação na rede social X. Segundo ele, o movimento exige que todas as pessoas detidas sejam libertadas imediatamente ou, no máximo, até esta terça-feira (28).
As manifestações ganharam força depois de irregularidades que afetaram, em maio, o exame nacional de acesso ao curso de Medicina na Índia, que contou com mais de dois milhões de candidatos. Segundo informações da imprensa indiana, a anulação da prova teria sido seguida pelo suicídio de quase 20 estudantes.
Além da exigência de reformas no sistema educacional, os jovens também levaram às ruas preocupações relacionadas ao desemprego e críticas ao que consideram uma guinada autoritária do primeiro-ministro Narendra Modi, que está no poder desde 2014.
Após semanas de protestos em diferentes regiões e uma manifestação duramente reprimida pela polícia em Nova Déli, os estudantes conseguiram no sábado (25) uma de suas principais reivindicações: a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Com a saída do ministro, o movimento decidiu suspender temporariamente os protestos.
De acordo com o CJP, pelo menos 70 pessoas foram presas pela polícia na capital indiana e em outras regiões do país durante as mobilizações. O fundador do partido, Abhijeet Dipke, também foi detido, segundo integrantes do próprio movimento. Agora, os jovens pressionam as autoridades para que todos os manifestantes sejam libertados.
A crise foi interpretada como um revés político para Narendra Modi, que construiu uma imagem de governante inflexível. A pressão aumentou depois que o governo passou a enfrentar uma onda de mobilizações lideradas por estudantes, que transformaram as críticas ao sistema de exames em um movimento mais amplo por mudanças na educação e em outras áreas.
Sob pressão, o primeiro-ministro anunciou no domingo (26) uma ampla reforma do sistema nacional de exames. A proposta tem como objetivo tornar as avaliações mais “confiáveis e transparentes”. Além disso, o Conselho de Ministros aprovou um projeto de lei que prevê o endurecimento das punições para pessoas envolvidas em fraudes em exames.
Com a suspensão dos protestos, os jovens agora aguardam o cumprimento das promessas feitas pelo governo. A exigência de libertação dos manifestantes presos passou a ser o principal ponto de pressão do movimento, que afirma ter interrompido as mobilizações apenas com base nos compromissos assumidos pelas autoridades.
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