Líderes do movimento juvenil "Barata" são detidos em Nova Délhi após ocuparem espaço histórico de protestos; oposição contesta revisão de listas eleitorais
há 9 horas
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Os principais líderes do movimento juvenil indiano conhecido como "Barata" foram detidos nesta terça-feira (13) no observatório histórico Jantar Mantar, no centro de Nova Délhi, após ultrapassarem barreiras de segurança para entrar no terreno. O grupo, formado por cerca de 20 voluntários, conseguiu furar o isolamento do espaço — tradicional ponto de encontro de manifestações — e ali ergueu a bandeira nacional da Índia, entoando palavras de ordem que exigiam a saída do chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar. Os detidos incluem Ashutosh Ranka, Saurav Das e Ajinkya Shinde, todos figuras de destaque do movimento. Após a ação, o fundador do grupo, Abhijeet Dipke, publicou mensagem na rede social X dizendo: "Vocês não podem retirar o reconhecimento da resistência", em tom de reação ao fechamento do local.
A controvérsia que levou aos protestos gira em torno de uma ampla revisão das listas de eleitores, iniciada no ano passado, que resultou na retirada de mais de 130 milhões de nomes — um número superior à população inteira do Japão. Desses, 28 milhões correspondem a pessoas já falecidas, 63 milhões mudaram de endereço e 30 milhões não puderam ser localizadas. Partidos de oposição e apoiadores do movimento "Barata" sustentam que as exclusões atingem de forma desproporcional eleitores muçulmanos e outras minorias, grupos que historicamente tendem a não apoiar o Partido do Povo Indiano (BJP), de orientação nacionalista hindu, comandado pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Tanto a Comissão Eleitoral quanto o BJP rejeitam as acusações: o órgão afirma que eleitores excluídos por engano podem se recadastrar, e o partido governista acusa os opositores de tentar desestabilizar instituições democráticas ao questionar processos legítimos.
A tensão nas ruas da capital indiana cresceu nas últimas semanas, com manifestações praticamente diárias convocadas por grupos de oposição. Na segunda-feira (12), milhares de pessoas participaram de uma marcha organizada em repúdio às medidas eleitorais, depois que a polícia impediu um ato maior programado para o fim de semana. Em resposta, a administração de segurança de Délhi anunciou que o Jantar Mantar deixa de ser espaço oficial para protestos, sendo substituído por três outros locais ainda a serem definidos. O movimento "Barata" — que atua sob a sigla CJP — surgiu inicialmente cobrindo questões ligadas à educação e ao emprego, mas ganhou força nacional e agora é considerado o mais sério desafio político enfrentado por Modi em seus 12 anos no governo. No início deste ano, uma ocupação prolongada no mesmo Jantar Mantar, motivada por denúncia de vazamento de provas de concursos públicos, já havia levado à renúncia do ministro da Educação.
As críticas internas à revisão eleitoral ganharam peso quando o jornal Indian Express revelou que dois assessores diretos do próprio comissário Gyanesh Kumar apresentaram, em relatórios internos, uma série de preocupações sobre os procedimentos de atualização dos cadastros, os sistemas digitais utilizados e a transparência das exclusões. A divulgação reforçou a desconfiança de que o processo poderia estar sendo direcionado para beneficiar o partido no poder. A polícia de Délhi ainda não se pronunciou oficialmente sobre as detenções desta terça-feira, e as circunstâncias da entrada do grupo no Jantar Mantar seguem sendo investigadas. A população indiana acompanha com atenção o desenrolar dos acontecimentos, temendo que a escalada de tensões possa aprofundar divisões sociais e políticas num país que se prepara para eleições de importância decisiva.
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