Laboratórios clandestinos e redes sociais eram usados para distribuir anabolizantes falsificados
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Um esquema de produção e comercialização de anabolizantes falsificados, investigado pela polícia, abastecia diferentes regiões do Brasil por meio de uma estrutura que envolvia laboratórios clandestinos, venda pela internet e divulgação nas redes sociais. As informações foram exibidas pelo Fantástico, da TV Globo.
Um dos principais investigados é Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya. Ele foi preso no dia 12 de agosto, em Ciudad del Este, no Paraguai. Segundo a investigação, o homem é apontado como um dos responsáveis pela fabricação e distribuição dos produtos.
As apurações identificaram estruturas clandestinas em Brasília, João Pessoa e São Paulo. A investigação começou a avançar após a apreensão de um celular em fevereiro de 2025, em um apartamento de Taguatinga, no Distrito Federal. No imóvel, policiais encontraram uma estrutura improvisada usada para a produção dos anabolizantes e prenderam Carlos Henrique Rodrigues de Abreu.
Conversas recuperadas no aparelho ajudaram os investigadores a identificar a atuação do grupo. Segundo a polícia, os produtos eram preparados em condições precárias, sem a estrutura adequada para a fabricação de medicamentos. As autoridades também apontaram riscos relacionados à manipulação dos produtos e à possibilidade de contaminação.
A investigação identificou ainda que os produtos recebiam embalagens e rótulos que simulavam uma origem internacional, com o objetivo de transmitir uma aparência de maior confiabilidade aos consumidores. A matéria-prima utilizada pelo grupo entrava clandestinamente no Brasil pela fronteira com o Paraguai.
Em Foz do Iguaçu, seis pessoas foram presas durante a operação. Entre elas estava a gerente de uma loja apontada como fornecedora dos insumos utilizados pelo grupo. O proprietário do estabelecimento é considerado foragido.
De acordo com as investigações, depois de produzidos, os anabolizantes eram comercializados pela internet e também chegavam a lojas de suplementos e clínicas de estética. A divulgação nas redes sociais teria sido uma das estratégias utilizadas para ampliar o alcance das vendas.
Influenciadores também aparecem nas investigações. Ana Luiza, apontada pela polícia como influenciadora fitness ligada ao esquema, teria participado da divulgação dos produtos. Segundo o delegado Rodrigo Carbone, conteúdos publicados nas redes sociais associavam os produtos a resultados físicos e estéticos.
O esquema também teria movimentado valores elevados. Segundo a investigação, as vendas realizadas pelo grupo chegavam a entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por dia, enquanto em períodos de menor movimento os valores ficavam entre R$ 4 mil e R$ 5 mil.
A Justiça determinou inicialmente o bloqueio de R$ 32 milhões em bens relacionados ao grupo. Para o delegado Rodrigo Carbone, o valor pode ser ainda maior diante da dimensão da estrutura investigada.
Além dos anabolizantes, a polícia também identificou a comercialização de outros produtos relacionados a emagrecimento e substâncias hormonais. A investigação aponta que consumidores chegaram a apresentar problemas após utilizar produtos vendidos pelo grupo.
O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Neuton Dornelas, alertou para os riscos do consumo de produtos cuja composição e procedência não são confiáveis. Segundo ele, a falta de controle sobre o conteúdo das substâncias aumenta os riscos para os consumidores.
Os investigados deverão responder por crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsificação de produto medicinal. As penas previstas para os crimes atribuídos ao grupo podem ultrapassar 40 anos de prisão.
A defesa de Carlos Henrique Rodrigues de Abreu afirmou que ele é empresário do ramo de suplementos alimentares e que pretende esclarecer, durante o processo, a origem e a legalidade de suas atividades empresariais.
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