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Levantamento aponta volume elevado de ações trabalhistas na Casas Bahia

  • há 28 minutos
  • 3 min de leitura
Levantamento aponta volume elevado de ações trabalhistas na Casas Bahia
Divulgação/Levantamento da Pact aponta que o Grupo Casas Bahia possui 27.295 processos trabalhistas ativos, número equivalente a 89,5 ações para cada 100 funcionários. A companhia protocolou pedido de recuperação judicial em 16 de agosto.
Casas Bahia chega à recuperação judicial com quase um processo trabalhista para cada funcionário.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial apresentando um volume de processos trabalhistas proporcionalmente superior ao identificado em outras grandes empresas do varejo. Um levantamento realizado pela Pact, especializada em gestão e reestruturação de passivos judiciais corporativos, aponta que a companhia possui 27.295 ações trabalhistas ativas.

De acordo com a análise, o número corresponde a 89,5 processos para cada 100 funcionários, proporção próxima de uma ação para cada empregado. Entre duas outras grandes varejistas analisadas pela empresa, os índices são de 14,4 e 7,7 processos para cada 100 colaboradores.

A diferença também aparece quando o número de ações é comparado ao faturamento. Na Casas Bahia, são 938 processos trabalhistas para cada R$ 1 bilhão de receita. Nas outras empresas avaliadas, os índices são de 155 e 169 ações na mesma proporção.

O levantamento foi divulgado após o Grupo Casas Bahia protocolar, em 16 de agosto, o pedido de recuperação judicial. A empresa apontou principalmente o aumento do custo financeiro e a pressão dos juros sobre a operação como fatores relacionados à decisão.

Embora os dados não permitam estabelecer uma relação direta entre o passivo trabalhista e o pedido de recuperação judicial, a Pact avalia que o volume de processos deve ser considerado na análise da situação financeira da companhia.

Constrições judiciais também chamam atenção
Outro dado destacado pelo levantamento é a quantidade de processos que apresentam algum tipo de constrição judicial, como bloqueio de valores ou restrição de bens para garantir o pagamento de uma obrigação.

Na Casas Bahia, 12,7% das ações trabalhistas ativas registram algum tipo de constrição. Nas outras duas varejistas analisadas, os percentuais são de 8,3% e 7,2%.

Segundo Lucas Pena, CEO da Pact, os números não permitem afirmar que o passivo trabalhista tenha provocado a recuperação judicial. No entanto, ele destaca que uma carteira extensa de processos pode continuar gerando decisões, pagamentos e bloqueios durante o processo de reorganização financeira.

Para o executivo, a empresa precisa conhecer e administrar essa exposição para evitar que o passivo judicial continue pressionando o caixa durante a recuperação.

Valor das ações ultrapassa R$ 10 bilhões
O levantamento também aponta uma diferença significativa no valor total das causas trabalhistas em andamento. Na Casas Bahia, o montante chega a R$ 10,27 bilhões.

Nas outras duas empresas consideradas na comparação, os valores são de R$ 1,68 bilhão e R$ 228,22 milhões.

A Pact ressalta, porém, que o valor atribuído às causas não significa necessariamente que esse será o montante efetivamente desembolsado pelas empresas. O indicador representa uma referência processual utilizada para dimensionar e comparar o tamanho das carteiras judiciais.

Dos 27.295 processos trabalhistas ativos da Casas Bahia, 5.063 já transitaram em julgado, ou seja, não estão mais sujeitos a recursos. O valor das causas desse grupo chega a aproximadamente R$ 1,06 bilhão.

A companhia encerrou 2025 com 30.492 funcionários e 1.042 lojas. No mesmo período, registrou receita líquida de R$ 29,1 bilhões e prejuízo ajustado de R$ 1,54 bilhão.
Diferença aparece mesmo entre empresas semelhantes
A análise também buscou comparar empresas de porte semelhante para verificar se o número elevado de processos poderia ser explicado apenas pelo tamanho da operação.

Em um dos comparativos, a Casas Bahia e outra varejista apresentaram receitas anuais por funcionário próximas, de aproximadamente R$ 954 mil e R$ 934 mil, respectivamente.

Mesmo com indicadores semelhantes nesse aspecto, a Casas Bahia apresentou 6,2 vezes mais ações trabalhistas por empregado do que a concorrente considerada na análise.

Para a Pact, os números não significam que todo o valor das causas será necessariamente pago nem que o passivo trabalhista seja o único responsável pela recuperação judicial. O levantamento aponta, contudo, uma exposição judicial proporcionalmente maior da companhia e uma incidência mais elevada de constrições.

A situação coloca a gestão do passivo trabalhista entre os pontos que podem exigir atenção durante o processo de reestruturação financeira do Grupo Casas Bahia.
Fonte: BPMoney

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Gazeta de Varginha

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