LIRAa 2026: Mais de 180 cidades mineiras estão em situação de risco para a dengue
há 5 dias
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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) publicou o primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, documento fundamental para nortear o combate à dengue, chikungunya e zika no estado. Realizado por amostragem em ciclos trimestrais, o estudo identifica a presença de larvas do mosquito em residências sorteadas e reflete o cenário do período sazonal, que se estende de outubro a maio, época de maior incidência dessas doenças no país.
Os dados coletados entre janeiro e março revelam um panorama de alerta para os gestores municipais. Dos municípios que realizaram o levantamento, 184 foram classificados em situação de risco, apresentando índice de infestação igual ou superior a 3,9%. Outras 422 cidades estão em situação de alerta, com índices entre 1% e 3,9%, enquanto apenas 213 municípios registraram indicadores considerados satisfatórios, abaixo de 0,99%. Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, embora 2026 seja um ano endêmico, o monitoramento contínuo é o que permite direcionar as equipes de campo para as regiões de maior criticidade.
O levantamento reforça que o ambiente doméstico permanece como o principal foco de reprodução do vetor. Caixas d’água destampadas, pratos de vasos de plantas, pneus e objetos descartados incorretamente em quintais e terrenos lideram a lista de criadouros. As autoridades de saúde reforçam que a forma mais eficaz de enfrentamento é a interrupção do ciclo de vida do mosquito através de ações simples, como a limpeza frequente de calhas, a vedação total de reservatórios e o descarte adequado de lixo, evitando que qualquer recipiente acumule água das chuvas. No campo epidemiológico, o boletim mais recente, atualizado até esta terça-feira (14/4), aponta que Minas Gerais registra cerca de 45 mil casos prováveis de dengue, 7,3 mil de chikungunya e 32 de zika em 2026. Apesar dos números expressivos e do aumento natural esperado para as últimas semanas, a SES-MG observa uma trajetória de queda na curva de contágio, apresentando um cenário mais favorável na comparação com anos anteriores.
Este desempenho é atribuído ao investimento anual de R$ 210 milhões em estratégias de combate às arboviroses. O Governo do Estado tem apostado na descentralização de exames e em tecnologias inovadoras, como a utilização de drones para mapeamento de focos e a implementação do método Wolbachia — que utiliza mosquitos com uma bactéria natural para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus. O suporte aos municípios e o uso de armadilhas inteligentes completam o pacote de medidas para tentar manter a queda dos indicadores até o fim do período de maior transmissão.
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