Marrocos atribui crise migratória em Ceuta à desinformação e ao tráfico de pessoas
3 de ago.
2 min de leitura
Reprodução
O governo do Marrocos atribuiu a recente crise migratória em Ceuta à atuação de redes de tráfico de pessoas, à disseminação de informações falsas nas redes sociais e à interpretação equivocada de uma decisão judicial espanhola. A manifestação foi feita pelo Ministério do Interior marroquino, no primeiro pronunciamento oficial de Rabat sobre o episódio que levou milhares de pessoas a tentar chegar ao enclave espanhol no norte da África.
Segundo o governo marroquino, aproximadamente 40 mil pessoas tentaram atravessar para Ceuta e outras 1.135 seguiram em direção a Melilla. As autoridades afirmaram que mensagens falsas difundidas nas redes sociais fizeram muitos migrantes acreditarem que seria possível entrar facilmente em território espanhol e permanecer no país sem sofrer deportação imediata. O comunicado também aponta que organizações criminosas aproveitaram esse cenário para incentivar as travessias.
As autoridades marroquinas informaram que 11 pessoas morreram durante as tentativas de travessia e disseram que operações de busca, identificação das vítimas e investigação sobre os fatos continuam em andamento. O governo anunciou ainda a abertura de procedimentos para identificar os responsáveis pela organização das travessias e pela disseminação das informações consideradas enganosas.
De acordo com o Ministério do Interior, parte da desinformação teve origem na interpretação incorreta de uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha relacionada ao tratamento de migrantes interceptados no mar. Segundo Rabat, essa leitura equivocada alimentou a percepção de que a entrada em território espanhol seria facilitada, o que acabou sendo explorado por redes de tráfico humano.
A crise migratória provocou uma forte reação na Espanha e na União Europeia, ampliando o debate sobre controle de fronteiras e políticas migratórias. Enquanto autoridades espanholas e europeias discutem medidas para enfrentar a situação, Marrocos sustenta que o episódio foi impulsionado principalmente pela ação de traficantes de pessoas e pela circulação de informações falsas, negando que tenha facilitado deliberadamente a entrada de migrantes em Ceuta.
Comentários