Mauro Vieira conversa com Marco Rubio sobre visita de Lula a Washington e tenta evitar classificação de facções como terroristas
há 3 horas
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O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar da agenda bilateral entre os dois países. Entre os temas discutidos esteve a possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, onde o chefe do Executivo brasileiro pretende se reunir com o presidente norte-americano Donald Trump. A viagem chegou a ser planejada para março, mas ainda não tem data confirmada devido a questões de agenda entre os governos.
Durante a conversa diplomática, outro assunto considerado sensível pelo governo brasileiro também foi abordado: a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas do Brasil como organizações terroristas estrangeiras. O governo brasileiro tenta evitar que grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam incluídos nessa lista.
Autoridades brasileiras demonstram preocupação com os impactos políticos e jurídicos dessa eventual classificação. Nos bastidores da diplomacia, existe receio de que a medida amplie o alcance das políticas de segurança dos Estados Unidos na região e permita ações mais diretas contra organizações consideradas ligadas ao narcotráfico.
Pela legislação norte-americana, quando um grupo é designado como Organização Terrorista Estrangeira, passam a valer diversas sanções e restrições. Entre as consequências estão bloqueio de ativos financeiros, criminalização de qualquer apoio material às organizações e restrições migratórias para pessoas associadas a esses grupos.
Além das sanções financeiras e jurídicas, a classificação também pode ampliar a possibilidade de operações de inteligência ou ações de segurança por parte dos Estados Unidos sob o argumento de combate ao terrorismo ou ao narcotráfico. Esse cenário é visto com cautela pelo governo brasileiro, que busca tratar o tema por meio do diálogo diplomático.
A proposta de classificar facções latino-americanas como organizações terroristas vem sendo discutida dentro do governo norte-americano e tem apoio de autoridades como Marco Rubio. Segundo fontes citadas pela reportagem, a ideia pode avançar nas próximas etapas do processo político nos Estados Unidos, incluindo eventual análise pelo Congresso.
Diante desse cenário, o governo brasileiro tenta atuar preventivamente para impedir que a proposta avance, ao mesmo tempo em que mantém negociações diplomáticas com Washington e prepara uma possível reunião entre Lula e Trump para discutir temas da relação bilateral entre os dois países.
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