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MEC fará pesquisa nacional sobre impacto da restrição do uso de celulares nas escolas

  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura
MEC fará pesquisa nacional sobre impacto da restrição do uso de celulares nas escolas
Divulgação
Completou um ano nesta terça-feira (13) a vigência da Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas escolas em todo o país. A legislação tem como objetivo reduzir distrações no ambiente escolar, priorizar o engajamento em atividades pedagógicas e coibir o uso inadequado de dispositivos eletrônicos por estudantes.

Diante do marco de um ano da norma, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que realizará, no primeiro semestre de 2026, uma pesquisa nacional para avaliar os impactos da restrição. O levantamento pretende analisar como a lei vem sendo aplicada nos diferentes sistemas de ensino e quais efeitos tem gerado no cotidiano escolar.

O ministro da Educação, Camilo Santana, avalia que a medida tem trazido benefícios aos alunos.

"O brasileiro passa, em média, nove horas e 13 minutos em frente a uma tela. Nós somos o segundo país do mundo que fica o maior tempo na frente de uma tela. isso é um prejuízo muito grande para crianças e adolescentes, causa ansiedade, causa déficit de atenção, causa transtornos, distúrbios mentais"

A lei foi criada em meio à crescente preocupação com os efeitos do uso excessivo de celulares nas escolas. Dados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (Pisa) 2022 apontam que 80% dos estudantes brasileiros relataram distração e dificuldades de concentração nas aulas de matemática em razão do uso do celular.

Aluno do ensino médio, Nicolas Lima, de 15 anos, relata que houve resistência inicial, mas que percebeu mudanças positivas com a restrição.

"Percebi que não foi tão ruim assim. Logo no primeiro dia de aula, consegui fazer um amigo, porque eu me aproximei. Também percebi que a minha concentração melhorou muito durante as aulas. Eu não usava o celular durante a aula, mas sempre no final de cada aula em que os professores estavam fazendo a troca eu pegava o celular"
Ele também destacou mudanças no intervalo escolar.
"Também, quando foi proibido o celular no intervalo, além de ficar conversando com os meus amigos, nós ficávamos jogando vários jogos, jogos de tabuleiro, conversando, um olhando para o outro, interagindo"

Para a mãe do estudante, a empreendedora digital Cibele Lima, o processo de adaptação foi desafiador, mas trouxe resultados positivos.

"Estava acostumada a poder conversar com meus filhos no WhatsApp na escola, mas hoje eu vejo que melhorou muito, foi bom pra ele perceber que ele pode fazer amizades, que essa timidez não é uma condição fixa. Mas é algo que pode ser mudado quando a gente tem outro olhar e quando sai das telas. Isso ficou bem claro para mim neste um ano, essa transformação, de novas amizades por meio dessa proibição."

Especialistas relatam que, após a restrição, professores observaram alunos mais atentos, participativos e focados nas atividades. O hábito de apenas fotografar o conteúdo do quadro foi substituído por maior registro escrito e interação em sala.

A mestre em saúde pública e psicóloga Karen Scavacini avalia que o celular pode ser um aliado da educação quando utilizado de forma adequada.

"O celular pode ser uma ferramenta muito educativa e potente quando ele é utilizado de forma transdisciplinar. Ele vai permitir que tenha produção de conteúdo, leitura crítica de informações, e é um recurso importante para trabalhar educação midiática, ajudar estudantes a avaliar fontes, a ter um raciocínio crítico, a compreender os algoritmos, identificar desinformação e usar as redes de forma ética"

Para apoiar a aplicação da norma, o MEC desenvolveu e disponibilizou guias práticos, planos de aula e materiais de apoio para campanhas de conscientização sobre o uso responsável de celulares no ambiente escolar.
Fonte: AgBrasil

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Gazeta de Varginha

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