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Mendonça enfrenta resistência no STF para avançar com investigação sobre Moraes

  • há 7 minutos
  • 2 min de leitura
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil


O ministro André Mendonça enfrenta um cenário desfavorável no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar com a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, no contexto das apurações relacionadas ao Banco Master. Segundo avaliações internas da Corte, Mendonça conta atualmente com apoio irrestrito apenas do ministro Luiz Fux.

A ministra Cármen Lúcia também poderia se alinhar a Mendonça e Fux, mas essa posição dependeria do nível de pressão da opinião pública sobre o caso. Os demais integrantes do Supremo apresentam resistência nos bastidores à iniciativa do relator.

Nesse cenário, pessoas próximas ao caso avaliam que Mendonça decidiu retirar o sigilo do inquérito justamente para dar maior transparência aos elementos reunidos. A expectativa seria de que a exposição pública das informações aumentasse a pressão sobre os ministros considerados indecisos e pudesse alterar a atual configuração dos votos no plenário.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, por outro lado, considera que Mendonça investigou Moraes de maneira indevida e pediu o arquivamento do caso. A posição da PGR é um dos principais obstáculos para o avanço da apuração dentro do Supremo.

Desde que os detalhes da investigação vieram a público, os ministros da Corte passaram a discutir formas de impedir que a crise se agrave e provoque novos danos à imagem do Judiciário. O chamado campo majoritário do STF, liderado pelo decano Gilmar Mendes, defende que as provas obtidas contra Moraes sejam anuladas porque não teriam sido autorizadas pelo plenário da Corte, seguindo a argumentação apresentada por Gonet.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, tem defendido uma solução baseada no diálogo entre os integrantes da Corte. A avaliação de Fachin é que o tribunal precisa evitar uma escalada da crise interna, que já produz efeitos sobre a imagem da instituição. Nos bastidores, porém, há a percepção de que faltam articulações capazes de reduzir a tensão entre os ministros.

Para que uma investigação contra um ministro do STF seja aberta, é necessário que Fachin submeta a questão ao plenário. Mendonça defende que o assunto seja analisado de maneira transparente pelos demais ministros. A expectativa é que a discussão envolva tanto a possibilidade de investigação quanto a validade dos elementos reunidos no relatório da Polícia Federal.

No Palácio do Planalto, a orientação é diferente. A defesa dentro do governo é para que uma eventual análise do caso pelo plenário seja deixada para depois das eleições. A avaliação é que uma decisão do Supremo durante o processo eleitoral poderia levar o episódio para o centro da disputa presidencial de 2026.

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Gazeta de Varginha

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