MG registra 11 novos casos de câncer de mama por dia, e diagnóstico precoce é a melhor prevenção
gazetadevarginhasi
17 de out. de 2025
3 min de leitura
Fonte: o tempo
Outubro é o mês de conscientização sobre o câncer de mama, mas os cuidados com a saúde feminina precisam ser mantidos durante todo o ano. Segundo o Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), foram diagnosticados 2.767 casos da doença entre janeiro e agosto de 2025 — uma média de mais de 11 novos diagnósticos por dia. Em 2024, o estado registrou 6.907 casos.
Informação como principal aliada
Para pacientes, a informação é essencial no combate ao câncer de mama. A psicanalista Maria Amélia Gomes, de 45 anos, que está em tratamento há três anos, alerta que o medo pode impedir o diagnóstico precoce:
“Quando se fala em paciente oncológico, muitos já pensam que vai morrer. Claro que é uma doença grave, mas há muitas pessoas que vivem plenamente após o tratamento. O medo impede que as pessoas se diagnosticarem. Ver apenas notícias de tragédias piora a situação. Eu queria ver mais histórias de mulheres que estão realmente vivendo, e não apenas sobrevivendo.”
Avanços no rastreamento e tratamento
A mastologista Renata Saliba, da Rede Mater Dei e diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais, explica que o acesso a exames preventivos pelo SUS sofreu alterações recentes.
“Até pouco tempo, a mamografia pelo SUS era indicada apenas a partir dos 50 anos, com intervalo de dois anos. Agora, qualquer mulher pode solicitar o exame diretamente na unidade básica de saúde, com garantia de realização a cada dois anos. As sociedades médicas recomendam rastreamento anual, mas essa mudança já representa um avanço.”
O tratamento do câncer de mama também evoluiu, com novos medicamentos disponíveis, como os inibidores de ciclina, indicados para casos avançados, e o bloqueio da função ovariana por medicação, antes possível apenas por cirurgia. Apesar de diferenças entre redes pública e privada, a especialista ressalta que o diagnóstico precoce é o que realmente salva vidas.
Casos reais reforçam a importância da prevenção
Maria Helena Costa, de 60 anos, descobriu a doença por acaso:
“O tipo que eu tive era muito agressivo. Um dia, passando a mão no peito, percebi que já estava enorme. Achei que a dor nas costas era por causa da coluna. Só depois descobri que era câncer.”
Já a bancária Rebeca Caroline Martins, de 34 anos, descobriu quatro nódulos na mama ao notar uma inflamação, após desconfiar de sintomas dispersos. O tratamento começou em fevereiro e, quatro meses depois, exames apontaram remissão completa da doença:
“Houve milagre. Todos os pontos — ossos, fígado, tudo — desapareceram. Os médicos ficaram sem palavras.”
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
A mastologista Renata Saliba explica que a detecção nos estágios iniciais eleva significativamente a probabilidade de cura, chegando a 95% ou até 98% em alguns casos. O exame de rastreamento, principalmente a mamografia, é capaz de identificar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas, permitindo tratamentos menos agressivos.
A radiologista Ivie Braga, do Grupo Orizonti, reforça:
“A mamografia é essencial e pode ser realizada em qualquer idade se houver sintomas suspeitos, especialmente a partir dos 40 anos. Mesmo sem sintomas, mulheres nessa faixa etária devem fazer o exame todos os anos. O diagnóstico precoce é o principal aliado da vida.”
Atenção também para mulheres jovens
Cerca de 40% dos casos de câncer de mama no Brasil acontecem antes dos 50 anos. Entre 20 e 39 anos, 57 mulheres morreram vítimas da doença em Minas Gerais em 2025. Renata Saliba orienta que alterações no corpo, como nódulos, mudanças na pele ou no mamilo, endurecimento de áreas ou sensações diferentes, devem ser avaliadas imediatamente por um médico.
Mulheres com histórico familiar, mutações genéticas ou radioterapia prévia podem precisar iniciar o rastreamento antes dos 40 anos, decisão que deve ser individualizada com orientação de um mastologista.
Equipamentos e acesso no SUS
Atualmente, Minas Gerais conta com 445 mamógrafos disponíveis pelo SUS, sendo 51 em Belo Horizonte. Em 2023, o governo estadual destinou R$ 77 milhões para aquisição de novos equipamentos, contemplando 62 unidades de saúde em 45 municípios. Até o momento, 30 aparelhos estão em funcionamento, enquanto os demais seguem em processo de compra ou instalação.
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