Minas Gerais lidera apreensões de armas ilegais no Sudeste e ultrapassa São Paulo e Rio
gazetadevarginhasi
10 de dez. de 2025
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Minas Gerais é, atualmente, o estado do Sudeste que mais apreende armas de fogo ilegais, superando São Paulo e Rio de Janeiro — redutos históricos das principais facções criminosas do país, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). O dado faz parte do levantamento “Arsenal do Crime: Análise do perfil das armas de fogo apreendidas no Sudeste (2018-2023)”, divulgado nesta segunda-feira (8/12) pelo Instituto Sou da Paz.
O relatório mostra que, nos últimos cinco anos, Minas registrou 119.212 apreensões feitas pelas polícias Civil, Militar e Federal — volume 74% maior que o de São Paulo, com 68.204 armas retidas.
O Rio de Janeiro aparece em terceiro lugar, com 45.897, seguido pelo Espírito Santo (22.625). Apesar da liderança em quantidade, o estado fluminense ainda concentra o maior potencial ofensivo, com número elevado de fuzis e metralhadoras entre os armamentos apreendidos.
A análise revela uma mudança significativa no perfil das armas retiradas de circulação em Minas. Historicamente marcado por espingardas e garruchas de fabricação artesanal — muito comuns em áreas rurais —, o estado tem registrado, desde 2022, uma crescente presença de pistolas semiautomáticas, mais modernas e letais. Esse tipo de armamento passou a liderar as apreensões, ultrapassando as espingardas como a arma mais comum entre os criminosos.
“O fenômeno é evidente em todo o Sudeste, mas em Minas fica mais nítido pela mudança no padrão das apreensões. As garruchas, que eram muito comuns, perderam espaço para pistolas de calibres potentes, com maior capacidade de disparo e poder de letalidade”, explica o coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, Rafael Rocha.
Entre os destaques está a pistola calibre 9x19mm, que se tornou predominante entre as armas de fogo ilegais no estado. Em 2023, esse calibre representou 45,5% das pistolas apreendidas. Permitida para civis a partir de 2019, a 9 mm foi a arma mais vendida no país durante o período de flexibilização da política nacional de controle de armas, tendo sua comercialização novamente proibida apenas quatro anos depois. No entanto, boa parte das armas já vendidas nesse intervalo acabou desviada para o mercado ilegal.
“Essa mudança não é apenas tecnológica. É mais letal. A pistola 9 mm tem cerca de 40% a mais de poder de dano em relação a outros calibres e pode transpassar o alvo, atingindo pessoas a uma distância considerável”, alerta Rocha.
Para ele, o crescimento desse tipo de armamento eleva o risco dos confrontos e aumenta o desafio para as forças de segurança pública. “Hoje, muitas vezes, o armamento do criminoso se equipara ao da polícia.”
O estudo também aponta um possível elo entre o aumento da circulação dessas armas e a fragilidade no controle do comércio legal, com indícios de desvio de armamentos adquiridos de forma regular para o crime organizado. Pistolas, metralhadoras e submetralhadoras modernas têm sido utilizadas por grupos criminosos para expandir domínio territorial e reforçar a violência dos ataques.
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