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Ministro Dias Toffoli deixa relatoria de inquérito do Banco Master após avaliar desgaste institucional

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Reprodução
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O ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu, na quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, abrir mão da relatoria do inquérito que apura supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master após uma reunião reservada com os demais membros da Corte, realizada sob a presidência do ministro Edson Fachin. A informação foi confirmada por relatos de participantes do encontro e pela divulgação de nota oficial pelo próprio Supremo Tribunal Federal.

Inicialmente, Toffoli demonstrou resistência à ideia de deixar o comando do processo, argumentando internamente que não havia motivo jurídico para sua retirada da relatoria. Ao longo da reunião, no entanto, ele passou a admitir que sua permanência poderia trazer desgaste institucional ao STF diante da repercussão pública das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo contexto de intensa pressão midiática e política.

A reunião entre os magistrados durou cerca de três horas e, segundo relatos de ministros ouvidos pela imprensa, começou com clima considerado “pesado” e de “tensão geral”, diante das divergências internas sobre a condução do caso. Em determinado momento, Toffoli reconheceu que não contava com apoio suficiente entre seus pares e passou a dialogar sobre a possibilidade de se afastar da relatoria “a pedido”, expressão que foi incorporada à nota oficial divulgada posteriormente pelo STF.

Durante o encontro, o presidente do STF, Edson Fachin, fez a leitura de trechos de um relatório da Polícia Federal enviado à Corte, que continha menções ao nome de Toffoli extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo desse relatório está sob sigilo judicial, mas teria sido um dos fatores que intensificaram as discussões internas no STF.

Ainda conforme relatos, Toffoli apresentou esclarecimentos sobre as referências feitas a ele no relatório da Polícia Federal e afirmou que vinha atendendo a todos os pedidos formulados pela corporação no âmbito da investigação. Mesmo assim, prevaleceu a avaliação entre os ministros de que sua saída da relatoria contribuiria para reduzir a pressão interna e preservar a credibilidade da Corte.

A solução negociada evita também a abertura imediata de uma arguição formal de suspeição contra Toffoli, um movimento que, segundo interlocutores ouvidos, poderia criar precedentes indesejados no âmbito do STF.

Em nota oficial assinada pelos dez ministros do Supremo, a Corte declarou que “não é caso de cabimento para a arguição de suspeição”, com base no art. 107 do Código de Processo Penal e no art. 280 do Regimento Interno do STF, e reconheceu “a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”. A nota também expressou apoio pessoal ao ministro, ressaltando a inexistência de suspeição ou de impedimento formal e destacando que Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O comunicado ressalta ainda que, “a pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerando os altos interesses institucionais”, a Presidência do STF acolheu a comunicação de Toffoli para que os feitos sob sua relatoria fossem enviados para livre redistribuição.

Com a saída de Toffoli da relatoria, o processo foi redistribuído e o ministro André Mendonça foi designado como novo relator do inquérito que investiga supostas irregularidades no Banco Master.

A mudança ocorre em um momento em que o caso vem sendo objeto de intensa atenção pública e política, após a Polícia Federal apontar menções ao ministro no material apreendido e após matérias jornalísticas relatarem a permanência de Toffoli na relatoria mesmo diante das controvérsias.


Gazeta de Varginha

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