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Máfia dos celulares movimentou R$ 460 milhões e revela cadeia criminosa por trás de roubos no Brasil

há 1 hora
3 min de leitura


Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com as polícias Civil e Militar, revelou uma cadeia criminosa estruturada por trás do roubo e furto de celulares no Brasil. Segundo a apuração, o grupo investigado movimentou cerca de R$ 460 milhões ao longo de cinco anos, envolvendo receptação, acesso a dados das vítimas, adulteração de aparelhos, falsificação de documentos e revenda.

Os números ajudam a dimensionar o problema: mais de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no Brasil em apenas um ano. Isso representa, em média, um aparelho levado a cada 38 segundos. Em São Paulo, somente cerca de 6% dos celulares são recuperados.

A investigação levou à prisão de 15 suspeitos e identificou diferentes etapas dentro da estrutura criminosa. Depois de retirados das vítimas, os aparelhos eram encaminhados rapidamente para pontos de receptação, onde começavam a ser preparados para retornar ao mercado.

Um dos principais locais identificados pelos investigadores foi a Rua Guaianases, no centro de São Paulo. Segundo uma testemunha protegida que participou dos crimes e colaborou com a investigação, os celulares já tinham destino definido logo depois dos roubos e furtos.

Além da receptação, criminosos tentavam acessar contas bancárias, aplicativos e outras informações armazenadas nos aparelhos. O promotor Luiz Fernando Bugiga afirmou que a investigação comprovou a importância da Rua Guaianases como ponto inicial da cadeia de receptação e de tentativas de acesso aos dados das vítimas.

A localização indicada pelos próprios celulares também ajudou a investigação. Algumas vítimas conseguiam identificar que os aparelhos estavam na região, mas localizar exatamente os imóveis onde os dispositivos eram armazenados era uma dificuldade para os investigadores.

Durante a operação, cães treinados para identificar componentes eletrônicos foram utilizados nas buscas. Os animais ajudaram a encontrar celulares escondidos, contribuindo para apreensões e flagrantes.

Entre os presos está um comerciante suspeito de participar do esquema de receptação. De acordo com a investigação, o estabelecimento era utilizado em uma das etapas da organização criminosa.

Adulteração do IMEI

Depois da receptação, parte dos celulares era encaminhada a pessoas com conhecimento técnico para modificar o IMEI, número que funciona como uma espécie de identidade de cada aparelho.

Segundo o Ministério Público, os criminosos exploravam falhas na integração entre sistemas de fabricantes, operadoras, lojas e órgãos públicos. O método consistia em substituir o IMEI original de um celular roubado por outro número associado a um aparelho que já estava inativo.

Com a alteração, o telefone passava a ser mais difícil de ser identificado pelos sistemas de controle. Os responsáveis por esse tipo de serviço eram chamados de “icloudeiros”. Um dos suspeitos apontados como integrante desse núcleo foi preso na operação.

Documentos falsos ajudavam a devolver celulares ao mercado

A investigação também identificou uma etapa destinada a dar aparência legal aos aparelhos. Celulares adulterados ou desmontados eram preparados para serem revendidos, enquanto documentos fiscais fraudulentos ajudavam a esconder a origem criminosa dos produtos.

Os investigadores encontraram conversas relacionadas à emissão de notas fiscais com informações e números de IMEI correspondentes aos aparelhos comercializados.

Como medida para aumentar a capacidade de rastreamento, o governo de São Paulo passou a exigir a inclusão do IMEI nas notas fiscais eletrônicas de celulares. A intenção é facilitar a identificação da origem dos equipamentos e dificultar a circulação de aparelhos roubados.

Operação apreendeu cerca de 60 toneladas

A dimensão da estrutura também apareceu na quantidade de material apreendido. Cerca de 10 mil itens, entre celulares, peças e acessórios, foram recolhidos e levados para um prédio da Polícia Civil.

O volume era tão grande que não foi possível contabilizar individualmente todos os objetos. Os peritos estimaram o peso total do material em aproximadamente 60 toneladas. Os equipamentos serão analisados para tentar identificar seus proprietários e obter novas informações sobre o funcionamento da organização.

Para os investigadores, porém, a cadeia não depende apenas de quem rouba os aparelhos. A procura por celulares de procedência duvidosa também ajuda a manter o mercado funcionando.

Produtos vendidos por valores muito abaixo dos praticados normalmente podem ter origem criminosa. A investigação mostra que o roubo ou furto é apenas o primeiro passo de uma estrutura que envolve receptação, tentativa de acesso a dados, adulteração de identificação, falsificação de documentos e revenda dos celulares.

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Gazeta de Varginha

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