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Novo guia orienta transição do Papanicolau para teste molecular no SUS

  • gazetadevarginhasi
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Novo guia orienta transição do Papanicolau para teste molecular no SUS
Divulgação João Risi/MS
Fundação do Câncer lança versão atualizada de guia de prevenção do câncer de colo do útero.

A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) a versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. A iniciativa integra as ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e à prevenção da doença. O material tem como objetivo orientar profissionais de saúde diante das mudanças recentes nas estratégias de vacinação e rastreamento da enfermidade no Brasil.

A primeira edição do guia foi publicada em 2022, período em que as principais abordagens de prevenção envolviam a vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) e o rastreamento por meio do exame Papanicolau, baseado na citologia. Desde então, avanços importantes foram incorporados ao sistema de saúde, motivando a atualização do conteúdo.

A nova versão do guia passa a orientar a transição gradual do método de rastreamento, que substituirá o exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV. De acordo com a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, tanto a vacinação quanto o rastreamento passaram por mudanças significativas, especialmente ao longo de 2025, com a ampliação do público-alvo da vacinação contra o HPV.

No que se refere ao rastreamento, os testes moleculares para detecção do HPV oncogênico foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. A implementação teve início em setembro do ano passado, por meio de um núcleo criado na Secretaria de Atenção Especializada em Saúde, do Ministério da Saúde, e ocorre de forma gradativa em municípios de 12 estados. Outros 12 estados já iniciaram tratativas para aderir ao processo.

Segundo Flávia Corrêa, nos locais onde o rastreamento molecular ainda não foi implantado, continuam valendo as diretrizes baseadas no exame citológico. O guia atualizado já incorpora as recomendações das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que preveem a substituição progressiva do Papanicolau pelo teste de DNA-HPV.

O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, explicou que enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já existentes, o teste molecular detecta a infecção pelo HPV, ampliando a capacidade de diagnóstico precoce e a efetividade da prevenção.

Público-alvo e periodicidade
O público-alvo do rastreamento com o teste DNA-HPV permanece o mesmo no Brasil: mulheres de 25 a 64 anos. A decisão de manter essa faixa etária levou em conta a padronização do atendimento e a necessidade de evitar a coexistência dos dois métodos em uma mesma unidade de saúde.

A periodicidade dos exames também muda. No rastreamento citológico, após dois resultados negativos anuais, o exame passa a ser realizado a cada três anos. Já com o teste molecular, considerado mais sensível, o intervalo pode ser ampliado para cinco anos, já que 99% das mulheres apresentam resultado negativo.

Mulheres com resultado positivo para os tipos HPV 16 e 18, responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, são encaminhadas imediatamente para colposcopia. Para outros tipos de HPV oncogênico, é realizada a citologia reflexa e, dependendo do resultado, a paciente pode ser encaminhada para colposcopia ou repetir o teste em um ano.
Estratégia global e pilares da prevenção
O Brasil aderiu à Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2020. As metas até 2030 incluem vacinar 90% das meninas até 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes diagnosticadas.

A vacinação contra o HPV é apontada como a principal forma de prevenção primária. Após queda na cobertura vacinal durante a pandemia e com o avanço do movimento antivacina, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) intensificou ações de resgate de adolescentes entre 15 e 19 anos não vacinados, com campanha prevista até o primeiro semestre de 2026.

Disponível no SUS desde 2014, a vacina quadrivalente protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer de colo do útero. Meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única. A vacinação também é oferecida gratuitamente a grupos prioritários, como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP, na faixa etária de 9 a 45 anos.

Além da vacinação e do rastreamento, o terceiro pilar da estratégia é o tratamento oportuno, que envolve desde o manejo de lesões precursoras até o acesso rápido ao tratamento oncológico. Segundo Flávia Corrêa, é fundamental que toda a rede de cuidado esteja estruturada para garantir a efetividade da prevenção do câncer do colo do útero.
Fonte: AgBrasil

Gazeta de Varginha

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