Obras de linha de transmissão no Paraná levam à descoberta de mais de 2,6 mil fósseis
2 de jul.
2 min de leitura
Reprodução
Trabalhadores envolvidos na construção de uma linha de transmissão de energia entre os estados do Paraná e São Paulo encontraram 2.655 fósseis de animais e plantas que viveram na Terra centenas de milhões de anos antes do surgimento dos dinossauros. A descoberta ocorreu durante as obras da Linha de Transmissão Ananaí 500 kV Ponta Grossa–Assis.
Os materiais foram localizados ao longo das atividades de escavação realizadas entre abril de 2025 e janeiro de 2026, especialmente durante a instalação das fundações das torres de transmissão. O empreendimento possui aproximadamente 275 quilômetros de extensão, atravessa 13 municípios e cruza cinco formações geológicas reconhecidas pelo elevado potencial fossilífero.
Entre os vestígios encontrados estão fósseis de trilobitas, braquiópodes, moluscos bivalves, peixes, gastrópodes, tentaculites e fragmentos de plantas primitivas. Os pesquisadores também identificaram estruturas de bioturbação, marcas deixadas pela atividade de organismos que viveram no solo há milhões de anos.
Segundo os especialistas envolvidos no projeto, o material permitirá reconstruir antigos ecossistemas marinhos e terrestres dos períodos Devoniano e Permiano. Alguns dos fósseis têm cerca de 390 milhões de anos, enquanto outros datam de aproximadamente 270 milhões de anos atrás.
O trabalho de monitoramento paleontológico foi realizado em parceria entre a empresa de transmissão de energia TAESA e a NASOR Paleontologia e Geologia. De acordo com o paleontólogo responsável pelo projeto, Henrique Zimmermann Tomassi, a iniciativa demonstra que a paleontologia preventiva pode contribuir para a preservação do patrimônio científico ao mesmo tempo em que grandes obras de infraestrutura são executadas.
Todo o acervo está em fase final de catalogação e será encaminhado à Universidade Estadual de Ponta Grossa, que ficará responsável pela conservação e pelos estudos científicos sobre o material. A destinação dos fósseis também será comunicada à Agência Nacional de Mineração, conforme prevê a legislação brasileira para esse tipo de patrimônio.
Além do resgate dos fósseis, o projeto promoveu atividades de educação patrimonial em escolas, museus e prefeituras dos municípios afetados pela obra. Cerca de 200 trabalhadores envolvidos na construção receberam treinamento para identificar possíveis vestígios paleontológicos durante as escavações, permitindo que novas descobertas fossem preservadas adequadamente.
Comentários