Onda de protestos se espalha por sete países da Europa; França é epicentro com mais de 2 mil detenções
há 44 minutos
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Uma onda de manifestações tomou conta de diversos países da Europa nas últimas semanas, impulsionada por insatisfação que combina o aumento do custo de vida, a crise de moradia e a dificuldade dos governos em manter serviços públicos funcionando de forma acessível. O movimento ganhou força inicialmente na França e já se expandiu para pelo menos seis outros territórios: Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Albânia. A editora de Internacional da CNN, Mariana Catacci, explica que não há uma pauta única, mas sim um conjunto de fatores que, somados, levam a população às ruas.
Na França, o cenário é o mais intenso. Tudo começou com estudantes do ensino médio e rapidamente reuniu professores, universitários e cidadãos de diferentes perfis contrários à alta de preços e à perda de qualidade de vida. O país concentra o maior número de detenções: mais de 2 mil pessoas foram presas até o último fim de semana, consolidando-se como o epicentro mais expressivo da agitação social no continente. Em paralelo, surgiram relatos de produtos levados durante os protestos sendo revendidos em plataformas digitais, o que amplia o debate sobre os rumos dos movimentos.
A moradia é o foco principal em Espanha e Portugal. Na Espanha, o despejo de uma mulher de 87 anos tornou-se símbolo da crise e mobilizou multidões. Em Portugal, o custo dos imóveis cresceu de forma muito acima da média europeia, gerando frustração generalizada. Na Itália, a situação chegou a confrontos em praça central de Milão, com intervenção da polícia. A Grécia registra atos por educação e preços; já na Albânia, além das pautas sociais, há revolta com a venda de área protegida do litoral para construção de um resort de luxo ligado a Jared Kushner, com acusações de corrupção contra o primeiro-ministro Edi Rama.
O ponto comum em todos os países é a pressão sobre os serviços públicos. Conforme destaca Mariana Catacci, governos enfrentam dificuldade para sustentar saúde, educação e infraestrutura sem comprometer ainda mais os cofres — França e Grécia, por exemplo, têm níveis recordes de endividamento. A tendência, segundo analistas, é de que o movimento se amplie, atraindo novos setores da população e mantendo os governos sob pressão nos próximos meses.
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