ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro é alvo de operação por suspeita de irregularidades contratuais
há 4 dias
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A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta segunda-feira (1º) uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental investigada por suspeitas de irregularidades em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de wi-fi gratuito em regiões da cidade. A entidade pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, baseado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ação policial cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao instituto, à produtora, à empresária e também à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A investigação é conduzida pela Polícia Civil e apura possíveis irregularidades tanto na contratação quanto na execução do projeto de conectividade financiado pelo município.
O contrato firmado entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil previa inicialmente repasses de R$ 108 milhões para instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos públicos de acesso à internet gratuita em comunidades da capital paulista. Segundo os investigadores, aditivos posteriores elevaram o valor total do acordo para R$ 157,1 milhões.
De acordo com o inquérito, pelo menos R$ 26 milhões teriam sido pagos sem a efetiva prestação dos serviços previstos. A Polícia Civil afirma que o cronograma original estabelecia a instalação de 5 mil pontos de conectividade até junho de 2025, mas apenas cerca de 3.200 pontos teriam sido implementados até o período analisado pela investigação.
Os investigadores também apuram suspeitas relacionadas ao processo de contratação da entidade. Conforme o inquérito, o Instituto Conhecer Brasil teria sido o único participante do chamamento público realizado para o projeto, apesar de não possuir histórico de atuação na área de telecomunicações.
A investigação aponta ainda que a ONG apresentou notas fiscais consideradas irregulares para justificar despesas vinculadas ao contrato. Além do instituto, empresas que teriam sido subcontratadas para execução do projeto também são alvo de diligências realizadas durante a operação.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e declarou que o contrato seguiu os princípios da legalidade, transparência e economicidade. O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a administração municipal está à disposição das autoridades para auxiliar na apuração dos fatos.
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