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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 05/02/2026

  • gazetadevarginhasi
  • hĆ” 6 minutos
  • 2 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo

Quando o controle remoto vira coleira


Por décadas, a Globo ocupou um lugar quase sagrado nos lares brasileiros. Informou, divertiu, criou personagens inesquecíveis e ajudou a formar uma identidade cultural comum. Isso é inegÔvel. O problema começou quando deixou de ser apenas uma emissora para se comportar como ator político permanente, com interesses próprios, agenda própria e ambição de poder travestida de jornalismo.
A partir desse ponto, a notĆ­cia deixou de ser espelho da realidade e passou a ser filtro. O contraditório virou exceção, a crĆ­tica seletiva virou regra e a opiniĆ£o passou a desfilar fantasiada de informação ā€œtĆ©cnicaā€. NĆ£o se trata de erro editorial pontual, mas de mĆ©todo: repetir, enquadrar, omitir e induzir atĆ© que o pĆŗblico confunda consenso fabricado com verdade.
O mais grave nĆ£o Ć© a Globo ter lado — toda instituição tem. O grave Ć© negar que tem, enquanto posa de Ć”rbitra moral da polĆ­tica nacional. Essa postura moldou e contaminou grande parte das demais emissoras, criando um ecossistema de pensamento Ćŗnico, onde discordar virou sinĆ“nimo de ignorĆ¢ncia, extremismo ou ameaƧa Ć  democracia.
O telespectador de hoje precisa fazer uma pergunta simples, porém incÓmoda: quem se beneficia da narrativa que estou consumindo? Certamente não é o cidadão comum. São interesses econÓmicos, acordos de bastidores, verbas públicas, influência institucional e, acima de tudo, o poder de definir quem pode falar e quem deve ser silenciado.
Desligar a Globo nĆ£o Ć© um ato de ódio, Ć© um ato de higiene intelectual. Ɖ recusar a tutela mental de uma empresa que se julga esclarecida demais para ser questionada e poderosa demais para ser responsabilizada. Informação nĆ£o pode vir com coleira, nem opiniĆ£o pronta em horĆ”rio nobre.
O Brasil não precisa de emissoras que pensem por ele. Precisa de cidadãos que pensem apesar delas.

Gazeta de Varginha

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