Dedicamos aos poucos amigos físicos, químicos, matemáticos, cosmólogos, filósofos, teólogos, nossos leitores e em especial, nossa amiga, Adriana Branquinho, admiradora do tema.
A turma que gosta de números ama o 1/137. A constante de estrutura fina, a (letra grega alfa), apareceu pela primeira vez aos olhos de Sommerfeld em 1916 para explicar por que as linhas do espectro de certos átomos se desdobram. Hoje, esse número — aproximadamente 1/137,036 — pode soar como uma curiosidade bonita, mas carrega o peso de uma pergunta que atravessa química, física de partículas e até a filosofia: por que o mundo usa esse valor tão específico?
Antes de tudo, o que é a, de fato? (explicação rápida para quem não está ligado na matéria) a é uma constante adimensional — isto é, não depende de unidades de medida. Ela resume a força da interação eletromagnética entre partículas e a forma como a luz as afeta. Em termos simples: quanto maior for a, mais forte é a ligação entre elétrons, prótons e fótons; quanto menor, menos intensa. E esse número aparece em várias situações: espectros atômicos, transições quânticas, e até na velocidade orbital dos elétrons. É por isso que físicos o veem como uma peça-chave da estrutura da matéria, não apenas como um detalhe.
O drama, para o público leigo e para boa parte da comunidade científica, não está no valor em si, mas no que ele representa. a é universal (não depende do sistema de medidas) e, por isso, funciona como uma ponte entre fenômenos diferentes. Pequenas variações em a mudariam drasticamente a química, a estabilidade dos átomos e até a possibilidade de vida. Esse “mágico ajuste fino” — como dizem alguns — deixa muitos curiosos e inquietos: por que o universo escolheu esse número e não outro?
Críticos e céticos lembram que o valor de a não foi “construído” por uma teoria que o derive do princípio primeiro. Hoje ele é obtido a partir de experimentos e de relações teóricas dentro do conjunto do conhecimento atual, incluindo a renormalização (um processo que mostra como as constantes efetivas mudam com a energia). Em outras palavras: a é uma pista, não uma explicação final. A busca por uma teoria de grande unificação ou por uma descrição mais profunda da natureza pode, no futuro, fazer o valor de a emergir naturalmente, ou pode exigir uma reformulação radical da nossa compreensão.
Já se viu dizer que a “varia” com a energia de observação — outro ponto que mexe com a segurança do leitor comum. De fato, em altas energias, o valor efetivo de a muda conforme as regras da renormalização. Isso não destrói a ideia de uma constante fundamental, mas complica a imagem de que exista uma única âncora imutável para toda a realidade. O que se mantém é o papel de a como um termômetro da forma como as forças fundamentais se entrelaçam.
Por que esse número provoca tanto ruído na conversa científica? Porque ele funciona como um teste da nossa compreensão: qualquer candidata a teoria de grande unificação precisa não apenas explicar o valor de a, mas prever como ele se comporta sob mudanças de energia. Em vez de um feitiço matemático, temos uma ferramenta para avaliar a viabilidade de teorias novas. Em resumo, a não é apenas bonito — é uma espécie de “termômetro” da plausibilidade de propostas que tentam unir as forças da natureza.
Há quem veja nessa situação uma história digna de romance científico: Sommerfeld, Feynman, Pauli e outros vendo a como um enigma central da física moderna. Não é apenas um número; é uma pista sobre por que o universo é como é. E, ao mesmo tempo, não é uma resposta pronta: ainda não temos uma teoria primeira que reduza todos os fenômenos a uma única lei eterna. A curiosidade científica, nesse ponto, é mais forte que a certeza: procurar, testar, ajustar, refinar.
Alguns passos críticos ajudam a manter o senso comum em alerta. Não podemos transformar a em uma resposta filosófica definitiva sobre “por que existe algo” ou sobre a existência de uma inteligência criadora. A tentação de ver números como sinais de um designer pode soar poética, mas também pode entorpecer a busca por explicações baseadas em evidência empírica e em estruturas matemáticas consistentes. E, sim, há espaço para a surpresa: a história da ciência está repleta de números que ajudaram a guiar teorias revolucionárias — mas nenhum número, por si, resolve a teoria do tudo.
O papel prático de a não é trivial: ela funciona como um guarda-chuva sob o qual caem vários fenômenos que sustentam a química, a física e a cosmologia. A ideia de que nossa compreensão de energia, escala e renormalização pode moldar ou modificar esse valor ainda é uma promessa de avanço. Se o universo for finamente ajustado, isso nos diz algo sobre a delicadeza da natureza. Se não for, também nos diz algo importante: que a nossa teoria precisa evoluir para explicar o que observamos.
Finalizando, se o mundo foi criado por uma inteligência — por alguém que desenhou as leis que regem tudo — talvez não haja uma “teoria do tudo” capaz de responder a tudo de forma completa. Pode ser que, mesmo diante de uma construção deliberada, o recurso humano tenha limites para descrever cada detalhe. E mesmo assim, a busca pela compreensão continua — porque é nessa busca que a ciência mostra sua força: não apenas explicando o que é, mas desvelando o que ainda está por entender.
O evangelho que melhor descreve Jesus como o meio pelo qual Deus criou o mundo é o Evangelho de João. João 1:3 afirma que "Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez", mostrando a participação de Jesus (o Verbo) na criação, um conceito que também é encontrado em Colossenses 1:16. Precisamos de mais?
Razão, lógica, leis físicas desconhecidas (milagres), provam a criação – o resto são religiões com várias denominações em busca da vida eterna, desde que nelas, Jesus Cristo, seja o caminho a verdade e a vida. Louvado seja Deus! Em tudo dai graças! Tessalonicences: 5-18 - citação de São Paulo.
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