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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 08/01/2026

  • gazetadevarginhasi
  • hĆ” 1 dia
  • 2 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo

Vida Extraterrestre: entre a ciência e a conspiração


Até o presente momento, não existe qualquer comprovação científica da existência de vida fora da Terra, tampouco evidência séria de visitas extraterrestres ao nosso planeta. Essa constatação, longe de ser uma limitação do conhecimento humano, é justamente uma demonstração de seu rigor: a ciência avança sustentada por dados verificÔveis, não por hipóteses sedutoras ou narrativas convenientes.
O universo Ć© vasto, com bilhƵes de galĆ”xias e incontĆ”veis sistemas estelares. Esse dado, frequentemente utilizado como argumento para a existĆŖncia inevitĆ”vel de vida inteligente fora da Terra, representa apenas uma possibilidade estatĆ­stica, nĆ£o uma evidĆŖncia empĆ­rica. Probabilidade nĆ£o equivale a demonstração. A ciĆŖncia nĆ£o opera no campo do ā€œparece lógicoā€, mas no do ā€œfoi comprovadoā€.
AlĆ©m disso, as leis fundamentais da fĆ­sica, amplamente testadas e confirmadas, impƵem limites severos Ć  ideia de deslocamentos interestelares ou intergalĆ”cticos. DistĆ¢ncias incomensurĆ”veis, restriƧƵes energĆ©ticas extremas e o limite da velocidade da luz tornam improvĆ”vel — Ć  luz do conhecimento atual — qualquer forma de visita frequente ou discreta Ć  Terra por civilizaƧƵes avanƧadas. Aceitar tal hipótese exigiria a comprovação de tecnologias que violassem princĆ­pios fĆ­sicos bem estabelecidos, o que demandaria evidĆŖncias extraordinĆ”rias, inexistentes atĆ© agora.
A ciência contemporânea, de forma responsÔvel, concentra seus esforços na busca por bioassinaturas, moléculas orgânicas simples e ambientes potencialmente habitÔveis em outros planetas. Mesmo assim, os resultados obtidos até hoje não ultrapassam o campo da vida microbiana hipotética. Não hÔ sinais de civilizações, comunicação inteligente ou engenharia extraterrestre.
Por que, então, proliferam teorias da conspiração sobre o tema? A resposta não estÔ na astronomia, mas na psicologia social. O ser humano tende a rejeitar o desconhecido quando ele se apresenta sem narrativa, sem vilões ou sem segredos ocultos. Conspirações oferecem explicações prontas, emocionalmente atraentes, que dispensam o método científico e substituem a dúvida honesta por certezas imaginadas.
A isso soma-se a histórica desconfianƧa em relação a governos e instituiƧƵes, que transforma qualquer documento sigiloso, fenĆ“meno aĆ©reo nĆ£o identificado ou tecnologia militar em suposta ā€œprovaā€ de encobrimento alienĆ­gena. Na prĆ”tica, trata-se quase sempre de fenĆ“menos naturais, limitaƧƵes de observação, erros de interpretação ou simples desinformação.
A cultura popular também desempenha papel central nesse processo. Décadas de filmes, séries e obras de ficção criaram imagens tão recorrentes que, para muitos, passaram a ocupar o lugar da realidade científica. A ficção, quando não reconhecida como tal, torna-se terreno fértil para a pseudociência.
A postura cientificamente responsĆ”vel Ć© clara e desprovida de espetĆ”culo: nĆ£o sabemos se existe vida fora da Terra, e nĆ£o hĆ” qualquer evidĆŖncia de que ela tenha visitado nosso planeta. Essa conclusĆ£o nĆ£o Ć© frustrante; Ć© honesta. A ciĆŖncia nĆ£o promete conforto, promete verdade — ainda que provisória.
Entre o rigor científico e a fantasia conspiratória, a escolha revela menos sobre o universo e mais sobre nossa disposição de aceitar limites, incertezas e a disciplina do conhecimento.
DifĆ­cil de acreditar na Globo, que mente igual ao Lula – pai da mentira.

Gazeta de Varginha

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