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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 09/06/2026

  • hĆ” 53 minutos
  • 3 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
O Mito da Intocabilidade

HÔ uma distorção profundamente enraizada na política brasileira: a ideia de que qualquer tentativa de discutir a eficiência do serviço público representa um ataque aos servidores. Não representa. O verdadeiro ataque é fingir que o problema não existe.
Durante décadas, parte da classe política construiu um discurso confortÔvel. Sempre que alguém propõe avaliações mais rigorosas, metas de desempenho, redução da mÔquina pública ou revisão de privilégios, surge imediatamente a narrativa da perseguição ao funcionalismo. O servidor é apresentado como uma vítima permanente, um coitado indefeso diante de uma sociedade supostamente hostil.
A realidade Ć© bem diferente.
Milhões de brasileiros acordam todos os dias sem a garantia de estabilidade, sem progressões automÔticas, sem a segurança de permanecer no emprego independentemente dos resultados que entregam. São trabalhadores, empreendedores e profissionais liberais que sustentam, por meio de impostos cada vez mais pesados, uma estrutura estatal que frequentemente exige sacrifícios da sociedade, mas raramente de si mesma.
A estabilidade foi criada para proteger o Estado da interferência política, não para proteger maus profissionais das consequências de seu desempenho. No entanto, em muitos setores, o instituto acabou sendo transformado em um escudo contra a meritocracia e contra qualquer tentativa séria de responsabilização.
O mais curioso é observar certos políticos que se apresentam como defensores dos servidores enquanto ignoram o contribuinte. Agem como se os recursos públicos surgissem espontaneamente, sem esforço de quem produz riqueza. Tratam qualquer reforma administrativa como heresia e qualquer proposta de modernização como ameaça.
O resultado estÔ diante dos olhos de todos: estruturas inchadas, órgãos sobrepostos, repartições com funções redundantes, baixa produtividade em determinados setores e uma resistência quase automÔtica a mudanças. Enquanto isso, o cidadão continua enfrentando filas, burocracia e serviços que muitas vezes ficam aquém do que deveria receber pelo volume de impostos que paga.
O debate sĆ©rio nĆ£o Ć© sobre destruir o serviƧo pĆŗblico. Ɖ sobre tornĆ”-lo mais eficiente.
Isso passa por uma revisão profunda das funções do Estado. Serviços estratégicos - segurança pública, Justiça, fiscalização, regulação, saúde e educação - devem permanecer sob controle estatal robusto e qualificado. JÔ atividades acessórias e operacionais podem ser terceirizadas mediante contratos transparentes, metas claras e fiscalização rigorosa.
Limpeza, manutenção predial, logística, suporte administrativo, tecnologia da informação e diversas atividades-meio não precisam necessariamente ser executadas por uma estrutura permanente de servidores. Em muitos casos, a terceirização responsÔvel pode reduzir custos, aumentar a eficiência e permitir que o Estado concentre recursos naquilo que realmente importa.
Ao mesmo tempo, avaliações periódicas de desempenho precisam deixar de ser mera formalidade burocrÔtica. O servidor competente deve ser valorizado. O servidor excepcional deve ser premiado. Mas a improdutividade crÓnica não pode continuar protegida por um sistema que praticamente elimina consequências.
Infelizmente, muitos políticos evitam essa discussão por conveniência eleitoral. Preferem preservar estruturas que rendem apoio corporativo a enfrentar um debate que interessa ao conjunto da população. Defendem privilégios em nome da justiça social e chamam de "proteção" aquilo que frequentemente não passa de resistência à modernização. O Brasil não precisa de um Estado maior. Precisa de um Estado melhor. Afirmamos que tem bons funcionÔrios públicos premidos pelo sistema podre, pois este sim, é o verdadeiro destruidor de talentos.
E isso exige coragem para enfrentar uma verdade simples: estabilidade não pode significar intocabilidade, e serviço público não pode ser sinÓnimo de imunidade à cobrança por resultados. Quem paga a conta tem o direito de exigir eficiência. E quem exerce uma função pública tem o dever de entregÔ-la.


Gazeta de Varginha

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