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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 13/02/2026

  • hĆ” 2 dias
  • 2 min de leitura
Por Luiz Fernando Alfredo
Por Luiz Fernando Alfredo
O saber autorizado e o silêncio daqueles que pensam além do tempo

ƀ luz do pensamento kantiano, o academicismo transforma-se em instrumento de requisito quando a razĆ£o deixa de ser crĆ­tica e passa a ser institucional. Kant defendia o uso pĆŗblico da razĆ£o: o direito de qualquer indivĆ­duo pensar, escrever e argumentar livremente, independentemente de cargos, tĆ­tulos ou autoridade. Quando a academia condiciona a validade do conhecimento ao diploma, ela troca a universalidade da razĆ£o pela autoridade do estatuto.

Na Crítica da Razão Pura, Kant mostra que o conhecimento não depende da biografia do sujeito, mas da validade racional dos juízos. Um juízo sintético a priori é verdadeiro não porque foi proferido por um doutor, mas porque obedece às condições universais do entendimento. Ao ignorar isso, a academia incorre exatamente no erro que Kant combateu: o dogmatismo, agora travestido de método.
JÔ em o conflito das faculdades, Kant alerta que instituições do saber tendem a proteger sua ordem interna, seus privilégios e sua linguagem própria. Nesse cenÔrio, ideias vindas de anÓnimos não graduados, ainda que coerentes e à frente de seu tempo, ameaçam a estabilidade do sistema e são descartadas não por falhas racionais, mas por inadequação formal.

O resultado é um paradoxo kantiano moderno: a razão, que deveria julgar livremente os argumentos, passa a julgar o portador do argumento. Assim, o academicismo deixa de ser meio de rigor e se converte em critério de pertencimento, produzindo ciência segura, porém muitas vezes tardia - enquanto a verdadeira inovação nasce, como tantas vezes na história, fora dos muros que deveriam acolhê-la.

Pensar ativamente é essencial para alcançar um entendimento mais profundo e verdadeiro. A reflexão crítica nos ajuda a questionar informações e desenvolver conhecimentos sólidos. Portanto, evitar a preguiça mental é fundamental para o crescimento intelectual.
Luis Fernando Alfredo

Gazeta de Varginha

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