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Opinião com Luiz Fernando Alfredo - 15/09/2026

há 2 minutos
3 min de leitura
Luiz Fernando Alfredo
Luiz Fernando Alfredo

2027: A CONTA ESTARÁ CHEGANDO

Há momentos em que a política pode criar discursos, promessas e ilusões. Mas existe um momento em que a matemática entra pela porta e acaba com todas as narrativas.

O Brasil está se aproximando desse momento.
Não importa quem estará no comando em 2027. Não importa a ideologia, a orientação política ou o discurso utilizado. O próximo governo encontrará uma realidade que não poderá ser resolvida com retórica: uma dívida gigantesca, juros elevados, despesas obrigatórias crescentes, Previdência pressionando o orçamento, necessidade permanente de arrecadação e pouco espaço para novos gastos.

A dívida pública já alcança uma dimensão que assusta não pelo número isolado, mas pelo custo de carregá-la.

E dívida não se paga apenas com discurso.
Paga-se com dinheiro.
Quando os juros sobem, o Estado precisa desembolsar centenas de bilhões de reais para remunerar a própria dívida. Dinheiro que poderia estar em hospitais, estradas, educação, segurança, investimentos e infraestrutura desaparece no serviço da dívida.
É uma espécie de imposto invisível.
O cidadão talvez não veja a conta chegando em sua casa, mas paga por ela no preço dos produtos, nos impostos, nos juros do financiamento, na dificuldade de crédito e na redução dos investimentos.
E existe outro problema: o governo não pode aumentar impostos indefinidamente.
Chega uma hora em que aumentar a carga tributária começa a sufocar justamente quem produz, emprega e investe.
Mas reduzir impostos sem reduzir despesas também não fecha a conta.
E reduzir despesas obrigatórias é politicamente difícil.
É aí que está o verdadeiro problema.
O Brasil construiu, ao longo dos anos, uma máquina pública com compromissos que crescem muito mais facilmente do que desaparecem.
Previdência.
Benefícios.
Folha de pagamento.
Precatórios.
Emendas.
Subsídios.
Programas sociais.
Juros.
Obrigações constitucionais.
Tudo isso precisa ser pago.
E ainda existe a conta que não aparece imediatamente no caixa: aquilo que foi prometido hoje e terá de ser pago amanhã.
2027 poderá ser justamente o ano em que o amanhã começará a cobrar o passado.
Não se trata de pessimismo.
Trata-se de matemática.
O Brasil possui riquezas extraordinárias. Tem agricultura competitiva, petróleo, minério, energia, mercado consumidor, indústria, tecnologia e enorme potencial econômico.
Portanto, não estamos diante de um país sem riqueza.
Estamos diante de um país que precisa decidir quanto pode gastar, quanto pode arrecadar e quanto ainda consegue crescer sem transformar a dívida em uma bola de neve.
E existe um agravante: o mundo também está mudando.
A economia chinesa influencia diretamente nossas exportações e os preços das commodities. Barreiras comerciais podem alterar mercados. O custo internacional do dinheiro pode permanecer elevado. Tensões geopolíticas podem afetar petróleo, alimentos, comércio e investimentos.
O Brasil não controla nenhuma dessas variáveis.
Mas controla a própria casa.
É por isso que 2027 poderá ser um divisor de águas.
O próximo governo talvez tenha de fazer aquilo que nenhum governante gosta de fazer: dizer não.
Não para novos gastos.
Não para privilégios.
Não para aumentos sem fonte permanente de financiamento.
Não para projetos que não cabem no orçamento.
Não para a ideia confortável de que sempre existe mais dinheiro disponível.
Porque não existe.
Existe dinheiro arrecadado da sociedade.
E existe dívida que um dia será paga pela própria sociedade.
Essa é a verdade que frequentemente desaparece no meio das promessas.
O problema não é simplesmente gastar.
Um país precisa gastar para crescer.
O problema é gastar permanentemente mais do que consegue produzir, arrecadar e financiar de maneira sustentável.
Quando isso acontece, a conta chega de três maneiras: mais impostos, mais inflação ou mais dívida.
E nenhuma delas é gratuita.
Talvez o maior erro brasileiro tenha sido acreditar que o futuro sempre poderia pagar pelo presente.
Só que o futuro chegou.
E 2027 poderá nos ensinar uma lição incômoda:
governos mudam, discursos mudam, ministros mudam, políticas mudam. A dívida permanece.
Por isso, a discussão que realmente interessa não deveria ser quem venceu a eleição.
Deveria ser:
quanto o Brasil deve, quanto consegue pagar, quanto ainda pode gastar e o que precisará cortar para não comprometer as próximas gerações?
Essa não é uma pergunta de esquerda.
Não é uma pergunta de direita.
É uma pergunta de sobrevivência fiscal.
Porque quando a matemática chega ao limite, não existe ideologia capaz de revogar uma conta.
E a conta de 2027 já começou a ser escrita.

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Gazeta de Varginha

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