A República dos Escândalos e o Silêncio das Conveniências do “Centrão”
O Brasil parece condenado a uma estranha rotina institucional: escândalos monumentais surgem, cifras astronômicas aparecem nas investigações e, curiosamente, os protagonistas quase sempre orbitam o mesmo campo político que há décadas se apresenta como paladino da justiça social e da moralidade pública.
O caso recente envolvendo o Banco Master, amplamente noticiado pela imprensa, começa a revelar contornos que deveriam provocar indignação nacional. Surgem indícios, conexões políticas, suspeitas que atravessam gabinetes e circulam entre autoridades situadas nos mais altos níveis da República. Quando nomes ligados aos três poderes passam a ser mencionados no mesmo contexto de operações financeiras suspeitas, o problema deixa de ser bancário. Torna-se institucional.
E aqui cabe uma pergunta que parte da imprensa, parte da academia e parte da classe política parece ter verdadeiro pavor de formular em voz alta: por que os grandes escândalos de corrupção que abalam o país nas últimas décadas quase sempre aparecem associados ao mesmo campo ideológico da esquerda brasileira, com o ajuda da maioria do centrão?
Não se trata de retórica partidária. Trata-se de memória histórica recente.
Foi assim no escândalo do Mensalão, um esquema que revelou a compra sistemática de apoio parlamentar e que levou dirigentes partidários ao banco dos réus.
Repetiu-se na gigantesca operação revelada pela Operação Lava Jato, que desvendou um complexo sistema de corrupção envolvendo estatais, empreiteiras e operadores financeiros.
E volta a ecoar agora em mais um episódio que levanta suspeitas sobre relações perigosas entre poder político e instituições financeiras.
Naturalmente, a presunção de inocência — princípio constitucional consagrado no artigo 5º da Constituição — deve ser respeitada. Mas o respeito à presunção de inocência não exige que a sociedade pratique amnésia seletiva.
Os fatos acumulam-se. Os personagens mudam de posição, mas frequentemente pertencem ao mesmo universo político que construiu sua narrativa eleitoral sobre o discurso moralizante da defesa dos pobres e do combate às elites econômicas. Paradoxalmente, é nesse mesmo ambiente que repetidas vezes surgem engrenagens sofisticadas de poder e dinheiro.
Enquanto isso, o cidadão comum continua financiando esse espetáculo. Paga impostos, sustenta a máquina estatal e assiste perplexo a uma sucessão de escândalos que parecem gigantescos no início — mas frequentemente terminam pequenos quando chegam à fase das punições.
E aqui surge a pergunta mais incômoda de todas.
Se as investigações confirmarem irregularidades no caso do Banco Master, quem devolverá o dinheiro ao povo brasileiro?
Será restituído aos cofres públicos?
Voltará aos hospitais superlotados, às escolas sucateadas e às estradas abandonadas?
Ou desaparecerá, como tantas vezes ocorreu, no labirinto jurídico das prescrições, dos recursos intermináveis e dos acordos silenciosos?
O Brasil precisa encarar uma verdade desconfortável: o problema nacional não é a falta de escândalos. O problema é a impressionante capacidade das elites políticas de sobreviver a eles com total falta de escrúpulos, criando uma narrativa com o devido processo legal e, diante de muitos brasileiros covardes e burros assistir idosos inocentes, militares de boa índole e o pior Jair Messias Bolsonaro (que não cometeu nenhum crime), morrendo na prisão.
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