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Parlamento da Groenlândia ratifica acordo de segurança com os EUA; tratado amplia presença militar e encerra tensões sobre controle da ilha

há 45 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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O Parlamento da Groenlândia aprovou nesta terça-feira (3) o acordo de segurança firmado com os Estados Unidos e a Dinamarca em setembro. A votação foi expressiva: 16 favoráveis, nenhum voto contra e sete abstenções. O tratado põe fim a meses de tensão, iniciada em janeiro quando a Casa Branca revelou que Donald Trump avaliava opções para adquirir a Groenlândia, incluindo o uso das Forças Armadas. A ilha, território autônomo dinamarquês, é estratégica por sua posição no Ártico e rica em recursos minerais — fatores que explicam o interesse geopolítico.

O acordo amplia a presença militar americana e prevê a construção de duas novas bases e a instalação do sistema de defesa antimísseis conhecido como "Domo Dourado". Ao mesmo tempo, reafirma a soberania da Dinamarca e o direito dos groenlandeses à autodeterminação. O ministro das Relações Exteriores da Groenlândia, Mute Egede, defendeu a medida: "Precisamos aceitar que a paz e a estabilidade não são mais algo que podemos considerar garantido". A aprovação legislativa confirma o rumo adotado pelo governo de Nuuk diante de um cenário internacional mais instável.

A oposição, no entanto, não acompanhou integralmente. O partido Naleraq, principal voz pela independência, cobrou contrapartidas concretas. "Não obtivemos nenhum benefício econômico com este acordo", criticou o presidente da legenda, Pele Broberg. As abstenções refletem essa insatisfação: a ilha possui reservas valiosas de minerais raros e metais, e parte da população espera que a aproximação com Washington gere investimentos e empregos — não apenas instalações militares. O acordo responde à segurança, mas deixa em aberto o desenvolvimento econômico.

A etapa seguinte cabe à Dinamarca: a primeira leitura do projeto está marcada para 11 de novembro, com votação final prevista para o dia 19. Curiosamente, o acordo não precisa de aprovação do Senado dos Estados Unidos, sendo tratado como medida executiva. A ratificação em Copenhague dará vigência plena ao tratado, consolidando a presença americana num dos pontos mais sensíveis do globo. O Ártico, antes visto como remoto, passa a ser linha de defesa direta — e a Groenlândia, palco de um novo equilíbrio de poder.

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