Rússia ataca rede elétrica da Ucrânia com centenas de drones e mísseis às vésperas de negociações de paz; dezenas morrem e regiões ficam sem energia
há 41 minutos
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A Rússia lançou na madrugada desta terça-feira (3) um dos maiores ataques da guerra contra a infraestrutura energética da Ucrânia. Foram disparados 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro, que atingiram usinas e subestações desde Odessa, no sul, até Rivne, no oeste. Três das cinco usinas termelétricas da maior empresa privada de energia, a DTEK, ficaram fora de operação. Cortes de energia foram registrados na capital, Kiev, e em pelo menos outras seis regiões. O ataque ocorre a apenas uma semana das negociações de paz marcadas para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
A violência não se restringiu à rede elétrica. Na segunda-feira (2), um bombardeio atingiu duas vezes uma escola em Komyshuvakha, região de Zaporizhzhia, que funcionava como centro de distribuição de ajuda humanitária. Pelo menos 33 pessoas morreram e cerca de 50 podem estar soterradas nos escombros. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou Moscou de escolher a violência em vez de avançar nas negociações: "demonstram que estão mais interessados em matar do que em aproveitar a trégua humanitária". A ofensiva ocorre menos de 48 horas após o fim da breve trégua para retirada de civis em Oleshky, negociada com intermediação de Melania Trump.
O timing dos bombardeios também chama atenção: coincidem com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Zelensky pediu aos aliados que percebam o sinal enviado por Moscou e forneçam mais equipamentos de defesa aérea. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz — país que se tornou principal apoiador da Ucrânia após a redução do auxílio americano —, cobrou participação séria da Rússia nas conversas de Abu Dhabi. Antes do encontro, a Comissão Europeia reúne-se com EUA, Otan e Ucrânia para discutir um "plano de prosperidade" e garantias de segurança para o país.
A população ucraniana sente o peso da aproximação do inverno. Lembranças do ano passado — quando milhões ficaram sem eletricidade e aquecimento por dias — fazem moradores estocarem água, baterias, roupas e sacos de dormir. "Este inverno será muito difícil", resume uma moradora de Dnipro, onde duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas. A Rússia, por sua vez, reafirma que ataca apenas instalações ligadas à produção militar e acusa a Ucrânia de provocar incêndio em refinaria de petróleo em Yaroslavl. Enquanto os preparativos de paz seguem, o frio e a destruição avançam lado a lado — e o silêncio das negociações é ensurdecedor.
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