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Partido Colorado, governista do Paraguai, declara apoio ao impeachment de Santiago Peña; crise do banco Ueno é o estopim

há 26 minutos
2 min de leitura

Reprodução
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O Partido Colorado, legenda que levou Santiago Peña à presidência do Paraguai, retirou-lhe o apoio e declarou oficialmente apoio ao processo de impeachment contra o chefe de Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) pelo presidente da legenda, Horacio Cartes, em publicação nas redes sociais: "Apoiamos o processo de impeachment do presidente da República, Santiago Peña, a fim de restaurar a ordem institucional". A decisão marca ruptura total: o partido que governava ao lado de Peña passa a trabalhar pela sua saída.

A crise foi deflagrada em 3 de novembro, com o fechamento do banco digital Ueno, colocado em liquidação pelo Banco Central do Paraguai. A instituição possuía cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões — cerca de R$ 4,6 bilhões — em depósitos, incluindo recursos públicos e do Instituto de Previdência Social. O vínculo direto: Santiago Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central.

Cartes reforçou que a legenda não tolera "o roubo de fundos públicos, privados e de pensões". Em mensagem anterior, havia cobrado de Peña "a urgência e a firmeza que o momento exige". Agora, o tom é de ruptura definitiva. A oposição já havia apresentado pedido de impeachment; com o apoio do partido governista, o processo ganha força e perspectiva de avanço no Congresso. O presidente perde não só base política, mas a própria estrutura que o levou ao poder.

O desfecho é incerto, mas o impacto é imediato: instabilidade política soma-se à crise econômica provocada pelo colapso do banco. O caso levanta questionamentos sobre a supervisão de instituições financeiras e a conduta de agentes públicos no Paraguai. Para Peña, que assumiu em 2023 e era visto como aliado de Washington, o cenário mudou radicalmente — e quem deveria protegê-lo tornou-se o primeiro a pedir sua saída.

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