PCMG conclui inquérito sobre abrigo interditado por mortes e maus-tratos a idosos
gazetadevarginhasi
12 de jun. de 2025
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Divulgação
Gestor de abrigo para idosos é indiciado por maus-tratos com morte em Contagem.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu as investigações sobre irregularidades em um abrigo para idosos em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com o indiciamento do gestor do local por diversos crimes, incluindo maus-tratos com resultado morte de um interno, maus-tratos a outros 36 idosos, homicídio de um segundo paciente e retenção indevida de cartão bancário. A mãe do investigado também foi indiciada pelos crimes de maus-tratos.
As apurações, conduzidas pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Contagem, resultaram na instauração de três inquéritos. Após cerca de quatro meses de diligências, a unidade foi interditada no dia 28 de maio, em ação conjunta com órgãos municipais. Os internos foram transferidos conforme suas necessidades para UPAs, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) ou para suas famílias.
As investigações começaram em janeiro, após a morte de um idoso de 89 anos nas dependências do abrigo. De acordo com o delegado Marcus Vinícius Gontijo Monteiro, os profissionais de saúde que atenderam à ocorrência desconfiaram das circunstâncias e acionaram a Polícia Civil. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) e uma perícia foi requisitada no abrigo.
“Encaminhamos o corpo ao Instituto Médico-Legal e requisitamos perícia no local para apurar possíveis maus-tratos. Ouvimos médicos e oficiamos órgãos municipais para verificar a regularidade do abrigo. Com base em laudos periciais e relatórios da Vigilância Sanitária, concluímos em março o primeiro procedimento”, explicou o delegado.
No início de maio, uma mulher de 61 anos faleceu quatro dias após sofrer uma queda. O laudo necroscópico indicou duas causas para a morte: tromboembolismo pulmonar, condição que pode estar ligada à longa permanência dos pacientes acamados, e traumatismo cranioencefálico.
A interdição do abrigo foi solicitada ao fim do primeiro inquérito. No entanto, mesmo após a medida da Vigilância Sanitária, o responsável pelo local continuou com as atividades. “Entendemos que ele, na condição de garantidor, assumiu o risco pela segunda morte, diante das diversas irregularidades apontadas. O local apresentava surto de sarna, piolho, presença de roedores, estrutura física inadequada, ausência de alvará e cobrança indevida de valores”, detalhou Monteiro.
Durante a ação conjunta que culminou na interdição, um familiar de um dos internos denunciou a retenção indevida do cartão bancário utilizado para recebimento de benefício previdenciário. O investigado foi levado à delegacia, onde teve a prisão ratificada.
Os três inquéritos foram concluídos e encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.
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