Pedágio, discussão e asfixia: investigação aponta feminicídio e tentativa de forjar acidente na MG-050
17 de dez. de 2025
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fonte: itatiaia
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) detalhou, nesta terça-feira (17), os avanços da investigação que apura a morte de Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos. O principal suspeito é o companheiro dela, Alison de Araújo Mesquita, de 43, preso em flagrante durante o velório da vítima, em Divinópolis. A polícia trabalha com a hipótese de feminicídio, seguido de tentativa de simulação de acidente de trânsito.
O caso veio à tona após um suposto acidente registrado na manhã de domingo (14), na rodovia MG-050, quando o veículo do casal, um Volkswagen T-Cross, colidiu frontalmente com um micro-ônibus que trafegava no sentido contrário. Henay foi encontrada morta no local.
Indícios levantaram suspeitas
Familiares da vítima acionaram a PCMG ao desconfiar das circunstâncias do ocorrido. Um dos pontos que chamou atenção foi a passagem do carro por uma praça de pedágio, momentos antes da colisão. Funcionários relataram que Henay estava desacordada no banco do motorista, enquanto Alison conduzia o veículo a partir do banco do passageiro. O automóvel, segundo a polícia, possui câmbio automático.
Após a batida, uma testemunha que estava no micro-ônibus afirmou que o corpo da mulher já apresentava sinais de resfriamento. De acordo com a Polícia Civil, o início do resfriamento corporal ocorre, em média, duas horas após a morte.
Exames necroscópicos apontaram lesões compatíveis com asfixia, reforçando a suspeita de que a morte tenha ocorrido antes da colisão. Além disso, mensagens e registros encontrados no celular da vítima indicam que ela sofria violência doméstica.
Versão contestada
Durante o depoimento, Alison admitiu que houve agressão física durante o trajeto pela rodovia e que bateu a cabeça da companheira contra o interior do carro. Ele alegou, no entanto, que a vítima teria recobrado a consciência e provocado intencionalmente a colisão — versão descartada pela PCMG diante das provas reunidas.
Exames também identificaram marcas de arranhões no rosto e nos braços do suspeito, que afirmou terem sido causadas por Henay durante a briga.
Conflitos anteriores
A investigação revelou ainda que a agressão teria começado antes da viagem, em um apartamento em Belo Horizonte, onde o casal esteve. No local, policiais do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) encontraram vestígios de sangue. Perícias irão determinar se o material pertence à vítima e em que condições ela deixou o imóvel.
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento, que durava cerca de sete meses, era marcado por conflitos frequentes e episódios de violência. O delegado responsável destacou que o histórico de agressões era recorrente e acredita que o medo tenha impedido a vítima de registrar ocorrências anteriores.
A PCMG segue com diligências complementares para concluir o inquérito.
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