Perda de olfato e paladar influencia hábitos alimentares na terceira idade
gazetadevarginhasi
há 6 minutos
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Uma pesquisa desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) identificou que as mudanças sensoriais típicas do processo de envelhecimento comprometem diretamente a qualidade nutricional da alimentação de pessoas idosas. O estudo foi conduzido pelo pesquisador André Luiz Ferreira no município de Jesuânia, localizado no Sul de Minas Gerais.
A investigação teve como foco compreender de que maneira a redução da percepção do olfato e do paladar interfere no prazer de se alimentar na terceira idade. Segundo o levantamento, essas alterações sensoriais acabam influenciando negativamente os hábitos alimentares, uma vez que o ato de comer deixa de ser prazeroso para muitos idosos.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores entrevistaram 489 indivíduos com idade superior a 60 anos. A partir da análise dos dados coletados, foi possível constatar que a diminuição da capacidade de identificar sabores reduz o interesse pelo consumo de alimentos considerados mais saudáveis, impactando diretamente a qualidade da dieta nessa fase da vida. O estudo aponta ainda que, diante da perda sensorial, muitos idosos recorrem ao uso excessivo de sal e açúcar como estratégia para intensificar o sabor das refeições. Essa prática, embora traga uma sensação momentânea de realce do gosto, pode representar riscos importantes à saúde ao longo do tempo.
De acordo com os pesquisadores, o consumo exagerado desses ingredientes está associado ao aumento do risco de doenças crônicas, como a hipertensão arterial e o diabetes, condições comuns entre a população idosa e que exigem cuidados contínuos.
O orientador do estudo, professor Eric Batista Ferreira, destaca que a indústria de alimentos ainda concentra seus esforços principalmente no valor nutricional dos produtos, deixando em segundo plano os aspectos relacionados ao prazer sensorial. Para ele, esse é um ponto que merece maior atenção quando se pensa em envelhecimento saudável.
“Para uma vida longeva e de qualidade, deve-se garantir que o ato de se alimentar não seja apenas para se nutrir, mas também seja prazeroso”, afirma o docente, ressaltando a importância de uma alimentação que considere tanto a saúde quanto a experiência sensorial dos idosos.