Pesquisa do Grupo Unis aponta retração na dinâmica produtiva do Brasil e de Minas Gerais em março
há 1 dia
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No mês de março, o Indicador de Dinâmica Produtiva (IdP) apresentou queda em comparação com fevereiro, tanto em âmbito nacional quanto no estado de Minas Gerais. O IdP é um indicador conjuntural calculado mensalmente pelo Grupo de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (GESEc) do Instituto Federal do Sul de Minas (Campus Carmo de Minas), desenvolvido em parceria com o Núcleo de Extensão, Pesquisa e Internacionalização do Grupo Unis e o GEESUL. Para a composição de seu cálculo, são estruturados dados consolidados do IBGE, tais como o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a Pesquisa Mensal do Comércio Varejista Ampliado (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), todas divulgadas com dois meses de defasagem em relação ao período avaliado.
Em nível Brasil, o indicador registrou uma retração de -0,24% no mês de março, interrompendo a trajetória de expansão de 0,56% que havia sido computada em fevereiro. Os setores econômicos que integram a análise apresentaram desempenhos bastante heterogêneos na média nacional. O principal vetor de crescimento foi o segmento agrícola, que obteve uma alta de 0,90%, enquanto a atividade industrial manteve-se em patamar de estabilidade com um leve acréscimo de 0,05%. Por outro lado, o bloco formado por comércio e serviços registrou um recuo médio de -0,46%, puxado principalmente pelo setor de serviços, que encolheu -1,21%, ao passo que o comércio varejista ampliado isolado conseguiu crescer 0,30%. De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Pedro Portugal, o resultado negativo do indicador nacional foi motivado exclusivamente pela retração observada nos serviços, ponderando que, ao confrontar a dinâmica produtiva de março de 2026 com o mesmo mês de 2025, foi constatada uma forte elevação de 5,77%.
Paralelamente, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado pelo mercado como uma prévia do PIB nacional, apontou um recuo de -0,7% em março na comparação com fevereiro, revelando uma queda mais acentuada do que a captada pelo IdP. Na comparação interanual com março de 2025, o IBC-Br registrou elevação de 3,1%, o que valida a tendência de alta substancial também demonstrada pelo indicador do Sul de Minas no confronto de longo prazo.
Em Minas Gerais, a dinâmica produtiva estadual registrou recuo de -0,92% no mês de março, configurando uma forte reversão em relação ao comportamento de fevereiro, quando havia alcançado uma expansão de 0,47%. No cenário mineiro, chamou a atenção o fato de que nenhum dos setores avaliados conseguiu registrar crescimento no período. O recuo mais expressivo no estado ocorreu na indústria, com queda de -1,45%, acumulando o segundo mês consecutivo de retração. O conjunto de comércio e serviços mineiros decaiu -0,77%, sendo que o segmento de serviços isolado encolheu -0,67% — completando quatro meses seguidos de resultados negativos —, enquanto o comércio varejista ampliado recuou -0,87%. O setor agrícola de Minas Gerais permaneceu estável, sem alterações em sua taxa.
O professor Pedro Portugal ressaltou que as projeções do relatório anterior já antecipavam essa queda na dinâmica produtiva nacional e estadual, o que acabou se confirmando com a consolidação dos dados oficiais do IBGE. O pesquisador explicou que as volatilidades observadas em setores-chave como a indústria e os serviços, sobretudo em Minas Gerais, têm sido determinantes para o comportamento instável da atividade econômica. Diante desse panorama, as previsões dos institutos para o mês de abril sinalizam para a possibilidade de ocorrência de novos recuos no IdP, influenciados principalmente por incertezas oriundas do cenário externo, que se encontram agravadas pelo conflito geopolítico em andamento no Oriente Médio.
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