Violência contra a mulher segue em alta no Sul de Minas e reforça alerta sobre prevenção
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Quase 10 mil mulheres foram vítimas de agressão no Sul de Minas entre janeiro e maio de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). No mesmo período, a região registrou 22.551 ocorrências de violência contra a mulher, o equivalente a 13,9% de todos os casos contabilizados em Minas Gerais. Em todo o estado, foram registrados 161.912 casos nos cinco primeiros meses do ano, número superior ao do mesmo período de 2025. Os dados reforçam que a violência doméstica e familiar continua sendo um dos principais desafios da segurança pública. Entre as vítimas está a empresária Elen Oliveira, que relatou ter sido agredida pelo ex-companheiro no dia 14 de junho. Segundo ela, permaneceu em cárcere privado e sofreu agressões durante cerca de 12 horas dentro da própria residência.
“Foi no chão da minha sala a parte da agressão, mas ele me carregou por toda a casa, me fez subir escadas várias vezes. Eu me tranquei dentro do quarto, ele tentou arrombar a porta. Logo em seguida, tomou o celular que ainda estava nas minhas mãos. Eu fui mantida em cárcere privado por seis horas e meia”, relembrou.
Especialistas alertam que comportamentos abusivos e discursos misóginos favorecem a manutenção da violência contra a mulher. Para o psicólogo e psicanalista Janilton Gabriel de Souza, o ciúme excessivo pode desencadear relações marcadas pelo controle, possessividade e agressões físicas e psicológicas. Minas Gerais conta atualmente com 70 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e com as Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar, além das medidas protetivas concedidas pelo Poder Judiciário.
A advogada Lorraine Portugal orienta que mulheres vítimas de agressão ou ameaça procurem ajuda imediatamente. Segundo ela, o descumprimento de medidas protetivas é crime e permite a responsabilização do agressor.
“É importante que a vítima compreenda que a violência tem fim e que existe uma rede preparada para ajudá-la. Buscar apoio é um passo fundamental para romper esse ciclo”, ressaltou. Mesmo após sobreviver às agressões, Elen afirmou que decidiu compartilhar sua história para incentivar outras mulheres a denunciarem os casos e buscarem proteção. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. As denúncias também podem ser feitas gratuitamente pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180.
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