Pesquisa identifica possíveis operações com informações internas do Exército em mercado de previsões
há 3 dias
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Mais de 150 carteiras de usuários da plataforma Polymarket International podem ter realizado negociações com base em informações internas relacionadas às Forças Armadas dos Estados Unidos, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (20) pelo grupo de pesquisa ACDC (Anti-Corruption Data Collective). A análise identificou operações consideradas suspeitas e levantou preocupações sobre o risco de informações militares serem exploradas em mercados de previsões.
O levantamento analisou mercados encerrados até 5 de maio e procurou identificar apostas de baixa probabilidade realizadas com valores elevados em um curto período. A pesquisa considerou, entre outros critérios, operações de pelo menos US$ 2.500 feitas cumulativamente em até uma hora em resultados que apresentavam probabilidade de 35% ou menos.
A partir desses critérios, o grupo identificou 556 carteiras que classificou como “Orcas”. Segundo o estudo, esses usuários geralmente criavam uma conta e rapidamente faziam apostas consideradas improváveis em mercados específicos, muitas vezes obtendo resultados positivos antes de retirar os ganhos e deixar de operar.
Dentro desse grupo, 152 carteiras apresentaram desempenho considerado excepcional em mercados relacionados a assuntos militares e de defesa. Juntas, elas acumularam aproximadamente US$ 8 milhões em ganhos, com uma taxa média de acerto de 97,2%.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que os resultados não comprovam que todos esses usuários tiveram acesso a informações privilegiadas. Segundo o ACDC, outras explicações, como a própria sorte, também são possíveis. Além disso, pessoas que realmente possuem informações internas podem não apresentar o mesmo padrão identificado no estudo.
Um caso citado pela pesquisa envolve apostas realizadas antes de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, em junho de 2025. De acordo com o levantamento, uma das carteiras consideradas uma “Orca” apostou no acontecimento poucas horas antes dos ataques. Depois disso, um robô e um investidor de grande porte fizeram operações semelhantes, de US$ 200 mil e US$ 100 mil, respectivamente.
O estudo também identificou comportamento semelhante antes dos ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã, em fevereiro. Para os pesquisadores, a repetição desse padrão indica que operações suspeitas podem influenciar outros participantes e ampliar sinais que inicialmente aparecem em poucas carteiras.
A possibilidade de imitadores aumenta as preocupações de segurança. Como as negociações da plataforma internacional são registradas em blockchain, as operações ficam disponíveis publicamente, embora os usuários permaneçam anônimos. Segundo o ACDC, grandes investidores e sistemas automatizados podem acompanhar esses movimentos e reproduzir determinadas operações.
O grupo também alerta que informações militares obtidas de maneira indevida poderiam representar um risco além das próprias apostas. Segundo os pesquisadores, existe a possibilidade de que adversários estrangeiros monitorem mercados públicos em busca de sinais sobre ações futuras das Forças Armadas americanas.
A Polymarket afirma possuir mecanismos de controle para identificar atividades suspeitas e informou que já encaminhou dezenas de carteiras às autoridades, incluindo um caso relacionado a apostas sobre a deposição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos não comentou as conclusões do estudo. A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC), órgão regulador que busca exercer jurisdição sobre os mercados de previsão, também não comentou especificamente a pesquisa, mas afirmou que pretende fiscalizar condutas ilegais no setor.
O ACDC defende medidas como a identificação obrigatória dos operadores e a retenção de pagamentos considerados suspeitos até o encerramento das investigações. O grupo também avalia que, para reduzir os riscos relacionados ao uso de informações não públicas, determinados mercados poderiam ser proibidos.
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