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PF afirma que empresário foragido e alvo de sanções dos EUA utilizou mais de 70 empresas para lavar dinheiro do tráfico internacional

  • 3 de jul.
  • 2 min de leitura
Reprodução
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O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, considerado foragido pela Justiça e alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, utilizou mais de 70 empresas para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, segundo a investigação conduzida pela Polícia Federal.

De acordo com os investigadores, Shimada operava como uma espécie de "doleiro moderno", utilizando uma extensa rede de empresas para ocultar a origem e o destino dos recursos movimentados pelo grupo criminoso investigado. Um dos agentes envolvidos no caso afirmou que todas essas empresas são investigadas por terem sido utilizadas diretamente pelo empresário ou por terem realizado operações financeiras com ele.

A apuração faz parte da Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3) pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular uma organização especializada em lavagem de dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas. Ao todo, a Justiça expediu 11 mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em endereços localizados na capital paulista, em Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Até a divulgação da operação, sete pessoas haviam sido presas.

Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que havia sido sancionada pelos Estados Unidos na quarta-feira (1º) por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Já Shimada continua sendo procurado pelas autoridades brasileiras.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava uma estrutura financeira complexa para movimentar recursos ilícitos, incluindo transferências de criptomoedas, transporte de grandes quantias em dinheiro vivo, operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. As movimentações atribuídas ao esquema ultrapassariam R$ 10 bilhões.

A Justiça determinou ainda o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões. Os envolvidos poderão responder, em tese, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, Shimada seria um elo importante entre integrantes do PCC que atuam na Flórida e traficantes internacionais. As autoridades americanas afirmam que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões em criptomoedas para enviar recursos ao Brasil em benefício da facção criminosa. As acusações fazem parte das sanções anunciadas pelo governo americano nesta semana.

Victor Shimada é sócio da Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda. e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., empresa sediada em Portugal que também foi incluída na lista de sanções dos Estados Unidos.

Em nota, a defesa do empresário informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas na operação. Os advogados afirmaram que qualquer manifestação sobre os fatos seria prematura antes da análise do material da investigação e disseram que adotarão as medidas jurídicas cabíveis após terem acesso aos autos do processo.

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Gazeta de Varginha

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