PF e MPF revelam rede criminosa que lucrava com maus-tratos a animais
há 2 horas
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Divulgação
MPF denuncia grupo por produção e venda de vídeos de extrema violência contra animais no Pará.
O Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal no Pará integrantes de um esquema criminoso voltado à produção, comercialização e compartilhamento de vídeos de extrema violência contra animais. A denúncia foi apresentada no último dia 18 e tem como base investigações conduzidas pela Polícia Federal.
De acordo com as apurações, os envolvidos submetiam animais domésticos e silvestres a práticas de tortura, mutilação e morte, frequentemente com conotações sexuais, atendendo a pedidos de usuários no exterior. Os conteúdos eram comercializados em moeda estrangeira, como dólar e euro.
Investigação e provas
A investigação teve início após denúncia da organização internacional Campaigns and Activism for Animals in the Industry, que identificou material violento supostamente produzido no Brasil.
A partir disso, a PF, por meio da unidade especializada em crimes cibernéticos, realizou o rastreamento financeiro e digital, identificando transações realizadas por plataformas online e via Pix.
Durante as diligências, os investigadores conseguiram vincular perfis utilizados para disseminação dos vídeos a endereços no Brasil, por meio da análise de protocolos de internet (IP).
Em mandados de busca e apreensão, foram encontrados dispositivos eletrônicos com registros inéditos dos crimes, além de objetos compatíveis com os utilizados nas gravações, como instrumentos cortantes e outros materiais.
Crueldade sob encomenda
Segundo o MPF, o grupo mantinha contato direto com compradores internacionais, utilizando linguagem codificada para ocultar a atividade criminosa. As investigações apontam que os crimes eram cometidos de forma sistemática, transformando a violência contra animais — incluindo gatos, coelhos e aves — em fonte de renda.
A perícia da PF confirmou a identidade dos investigados nos vídeos, descartando qualquer hipótese de manipulação digital. Um dos denunciados está preso, enquanto outro teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido.
Crimes e pedidos
O MPF imputou aos acusados os crimes de maus-tratos a animais — com agravantes em casos envolvendo cães e gatos — e associação criminosa.
Devido à gravidade dos fatos, o órgão optou por não oferecer acordo de não persecução penal (ANPP), entendendo que a medida seria insuficiente diante da brutalidade dos atos.
Além das penas criminais, o MPF solicitou à Justiça a fixação de indenização por danos morais coletivos, em razão da violação aos princípios de proteção à fauna e aos valores éticos da sociedade.
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