PF reavalia indicação de delegada para posto nos EUA em meio à crise diplomática
23 de abr.
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A Polícia Federal (PF) passou a reavaliar a indicação da delegada Tatiana Alves Torres para assumir o cargo de oficial de ligação junto ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), em Miami. A decisão ocorre em meio à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos após a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
A transmissão de cargo, que estava prevista após a formalização da nomeação em março, foi interrompida. O impasse teve início depois que o delegado federal Marcelo Ivo Carvalho foi expulso pelos Estados Unidos, sob a alegação de atuação irregular no caso envolvendo Ramagem, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
A substituição já fazia parte do processo de rotatividade interna da Polícia Federal, uma vez que a missão no exterior possui duração de dois anos. No entanto, a troca foi suspensa diante do agravamento das relações entre os dois países.
Em resposta à medida adotada pelos Estados Unidos, o Itamaraty anunciou, na quarta-feira (22), a aplicação do princípio da reciprocidade. A decisão incluiu a interrupção imediata das atividades de um representante norte-americano da área equivalente em território brasileiro.
Em nota divulgada nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a postura dos Estados Unidos não está alinhada à tradição diplomática de diálogo entre nações com relações históricas, como Brasil e EUA, que mantêm parceria há mais de dois séculos.
O comunicado também criticou a condução do caso, destacando que a decisão envolvendo o agente da Polícia Federal foi tomada sem solicitação prévia de esclarecimentos ou tentativa de diálogo, contrariando o memorando de entendimento bilateral que regula a cooperação policial entre os países.
Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou que havia solicitado o afastamento do delegado Marcelo Ivo Carvalho após o monitoramento que levou à prisão de Ramagem. O delegado, que atuava junto ao ICE, já retornou ao Brasil.
Autoridades norte-americanas também se manifestaram sobre o caso, afirmando que nenhum estrangeiro pode utilizar o sistema migratório dos Estados Unidos para evitar processos legais ou perseguições políticas. Segundo o órgão, o funcionário brasileiro deixou o país após tentar agir nesse sentido.
A atual crise diplomática teve início após a prisão de Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin. Ele foi detido nos Estados Unidos após uma infração de trânsito que levou ao cancelamento de seu visto. Apesar de ter sido liberado poucos dias depois, o ex-deputado teve negado o pedido de asilo sob a alegação de perseguição política.
Na ocasião da prisão, a Polícia Federal afirmou que a detenção ocorreu dentro de um contexto de cooperação internacional entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
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