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Polícia Civil do RJ prende 5 em operação contra esquema de roubo e revenda de medicamentos oncológicos

  • 21 de jul.
  • 3 min de leitura
Reprodução
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou nesta terça-feira (21) a Operação Metástase, que investiga um esquema interestadual de roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor. Até a última atualização, cinco pessoas haviam sido presas. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 33 milhões em um período de um ano e contaria com o apoio do Terceiro Comando Puro (TCP).

De acordo com a investigação, as cargas eram roubadas de maneira violenta, com a participação de criminosos armados com fuzis e batedores. Após os assaltos, os medicamentos eram levados para o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, onde, segundo a Polícia Civil, ocorria o transbordo e a redistribuição dos produtos. O material seria então armazenado, fracionado e enviado para outros estados por meio de empresas farmacêuticas de fachada.

Entre os cinco presos, três foram identificados: Fernanda Rodrigues França, apontada como integrante do núcleo de receptadores; Stefano Montovani Fernandes, indicado como chefe do esquema e suspeito de encomendar roubos de cargas; e Umberto Xavier de Lima, apontado como receptador. Os três negaram as acusações.

A operação cumpre cinco mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. As ações ocorrem em quatro estados. No Rio, os agentes atuaram no Complexo da Maré, onde houve intenso tiroteio e barricadas em chamas, além de endereços na Baixada Fluminense. Também são cumpridas ordens na capital paulista, em Santo André e São Caetano do Sul, em São Paulo; em Goiânia, Goiás; e em Belém, no Pará, com apoio das polícias locais.

A Justiça também autorizou o pedido de bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens e valores que, segundo a investigação, seriam utilizados para ocultar o patrimônio do grupo. Em Santo André, os policiais encontraram medicamentos contra o câncer dentro de um veículo Jaguar, que foi apreendido.

A Polícia Civil afirma ter identificado pelo menos 40 crimes semelhantes nos seis meses anteriores à operação. A investigação aponta ainda que a organização movimentou mais de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026 por meio de 25 empresas de fachada distribuídas pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Segundo os investigadores, os medicamentos roubados eram reinseridos no mercado e revendidos a hospitais privados e, em alguns casos, a instituições públicas de saúde por meio de processos licitatórios na modalidade de tomada de preços.

A estrutura investigada era dividida em diferentes núcleos, responsáveis pelas etapas de roubo, logística e finanças, além do suporte territorial. Segundo a Polícia Civil, a facção atuava no fornecimento de apoio bélico e proteção aos criminosos envolvidos nos roubos. Outro núcleo seria responsável pelo armazenamento, fracionamento e envio das cargas, enquanto empresas de fachada, transportadoras, entregadores e pessoas usadas como "laranjas" ajudariam a esconder a origem dos produtos e distribuí-los aos receptadores em diferentes estados.

As equipes também identificaram integrantes suspeitos de aliciar funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas. De acordo com a investigação, ao oferecer medicamentos por valores inferiores aos praticados no mercado regular, o grupo conseguia inserir produtos de origem criminosa na cadeia legítima de fornecimento. A Polícia Civil afirmou que o esquema representa uma ameaça à saúde pública, já que medicamentos oncológicos e imunossupressores precisam de controle rigoroso de temperatura e armazenamento. Condições inadequadas podem comprometer a eficácia dos produtos, provocar contaminação ou gerar substâncias nocivas, enquanto o volume das cargas roubadas pode afetar o abastecimento e o tratamento de pacientes com câncer, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

A operação também provocou impactos no atendimento de saúde no Complexo da Maré. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, duas unidades de atenção primária suspenderam o funcionamento e avaliavam a possibilidade de reabertura. Outras duas unidades mantiveram o atendimento, mas interromperam temporariamente as visitas domiciliares.

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Gazeta de Varginha

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