Presidente da Anac afirma que agência foi enganada pela Voepass antes de acidente que matou 62 pessoas
27 de jul.
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O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a agência foi enganada pela Voepass durante as fiscalizações realizadas antes da queda de um avião da companhia, que matou 62 pessoas em agosto de 2024. Segundo ele, a empresa informava aos fiscais que determinados reparos haviam sido realizados, mas, em algumas situações, os serviços não eram executados na prática.
Faierstein explicou que, durante operações assistidas, fiscais da Anac determinavam a substituição de peças ou a realização de reparos nas aeronaves. Posteriormente, os agentes encontravam documentos indicando que os procedimentos haviam sido concluídos. Em novas verificações, porém, constatavam que os serviços registrados não tinham sido realizados.
O presidente da Anac reconheceu que a agência foi enganada ao analisar documentos que não correspondiam à realidade. Ele também afirmou que a equipe técnica já havia identificado uma degradação gradual nas condições operacionais da Voepass antes do acidente, com problemas relacionados à manutenção e informações consideradas falsas encaminhadas pela empresa durante o processo de fiscalização.
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), divulgado após quase dois anos de investigação, apontou um conjunto de fatores relacionados à queda do avião. Segundo as conclusões, falhas da companhia aérea, condições da aeronave, ações da tripulação e deficiências na atuação da Anac contribuíram para o acidente. Ao todo, foram identificados 19 fatores relacionados à ocorrência, dos quais 15 tiveram contribuição direta e os demais foram classificados como de contribuição indeterminada.
Entre os pontos destacados na investigação está o sistema de degelo da aeronave, que apresentava problemas recorrentes. O relatório também apontou que o avião decolou com o limpador de para-brisa inoperante, condição que poderia ser permitida pelos manuais em determinadas circunstâncias, mas que não era compatível com as condições meteorológicas registradas no dia do acidente.
O Cenipa também identificou falhas na gestão de riscos e na supervisão da Anac sobre práticas adotadas pela empresa. A investigação apontou que condições consideradas relevantes não foram devidamente aproveitadas no processo de fiscalização. O órgão ainda identificou uma cultura de normalização de desvios dentro da operação da companhia, com problemas que não eram adequadamente registrados ou solucionados.
Em nota divulgada após a publicação do relatório, a Voepass afirmou que, ao longo de sua história, sempre adotou procedimentos de segurança, capacitação e orientação de tripulantes. A empresa também se manifestou sobre as conclusões da investigação, enquanto a Anac afirmou que pretende adotar as recomendações apresentadas pelo Cenipa.
Após o acidente, a Anac também decidiu modificar o processo de avaliação para a suspensão de companhias aéreas. Segundo Faierstein, a decisão, que anteriormente ficava concentrada na área técnica, passará a envolver também a diretoria da agência. A mudança busca ampliar a análise das condições de segurança e das medidas que podem ser adotadas diante de irregularidades identificadas nas operações.
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