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Presidente da Eletronuclear alerta que empresa pode seguir destino dos Correios sem solução para impasse financeiro

  • gazetadevarginhasi
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura
Reprodução
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O presidente interino da estatal Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou que, sem uma definição para o impasse financeiro em torno das obras da usina nuclear de Angra 3, a empresa corre risco de repetir o mesmo destino financeiro enfrentado pelos Correios. A declaração foi dada ao ser questionado sobre a situação econômica da companhia nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026.

Caporal explicou que a Eletronuclear tem recursos em caixa suficientes apenas até meados de março, o que pode levar a estatal a entrar em colapso financeiro caso a situação não seja resolvida rapidamente. Ele citou a necessidade de que bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas ao empreendimento de Angra 3, até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decida sobre o futuro do projeto. Segundo o executivo, essa suspensão é essencial para garantir a sustentabilidade financeira da estatal.

Ao fazer a comparação com os Correios, Caporal disse: “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, em referência à crise econômico-financeira pela qual a empresa postal pública atravessa.

A definição sobre o destino da usina de Angra 3 tem se arrastado por anos. No ano anterior, o ministro de Minas e Energia chegou a afirmar que tomaria uma decisão ainda em 2025, mas isso não se concretizou, deixando a questão ainda pendente.

Perguntado pelo g1 sobre quando o assunto deve entrar na pauta do CNPE, o Ministério de Minas e Energia — que preside o conselho — não havia respondido até a publicação da reportagem.

Caporal informou que, no momento, a Eletronuclear não precisa de aporte direto do Tesouro Nacional para honrar seus compromissos imediatos. Ainda assim, ele ressalta a importância de que os credores suspendam a cobrança da dívida para dar fôlego à estatal até que haja uma definição clara sobre Angra 3, obra que está paralisada há cerca de dez anos.

O serviço da dívida da Eletronuclear deve somar cerca de R$ 800 milhões em 2026, e, quando se consideram também os custos de manutenção da usina, os gastos totais relacionados a Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão por ano, de acordo com o presidente interino.

Caporal alertou que, se a decisão sobre o impasse for postergada até um momento de colapso financeiro, pode ser necessário um aporte extraordinário para mitigar efeitos danosos dessa situação. Sem uma solução estrutural, ele afirmou que a estatal pode entrar em default com fornecedores e com os próprios bancos.

A Eletronuclear é a empresa pública responsável por projetar, construir e operar usinas nucleares no Brasil, incluindo Angra 1, Angra 2 e o projeto em andamento de Angra 3, parte da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto no estado do Rio de Janeiro. Angra 3 encontra-se em fase de conclusão há vários anos, mas até o momento não há definição clara sobre sua retomada ou financiamento final.

Gazeta de Varginha

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