Primeira ligação telefônica completa 150 anos e marca revolução na comunicação
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Há 150 anos, primeira ligação telefônica iniciava revolução na comunicação.
O dia 10 de março de 1876 marcou um dos momentos mais importantes da história da comunicação. Nesta data, o inventor Alexander Graham Bell realizou a primeira ligação telefônica registrada, em Boston. Do interior de sua casa, Bell chamou o assistente Thomas Watson, que estava em outro cômodo, pronunciando a frase que ficaria famosa: “Senhor Watson, venha aqui. Preciso vê-lo”. A data passou a ser lembrada mundialmente como o Dia do Telefone.
Três dias antes da chamada histórica, Bell havia obtido a patente da invenção, após uma disputa sobre a autoria do telefone envolvendo outros inventores, entre eles Antonio Meucci. Poucos meses depois, a novidade tecnológica foi apresentada ao mundo durante uma exposição internacional na cidade de Filadélfia, onde o então imperador do Brasil, Dom Pedro II, experimentou o aparelho.
No ano seguinte, em 1877, o telefone chegou ao Brasil com a instalação de um dos primeiros equipamentos no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, local que atualmente abriga o Museu Nacional.
Do privilégio de poucos à comunicação em massa
Apesar da rápida curiosidade gerada pela invenção, o acesso ao telefone demorou décadas para se tornar comum. Durante mais de um século, possuir uma linha telefônica era considerado privilégio de poucos e até mesmo um patrimônio familiar. Em muitos casos, as linhas fixas eram declaradas no Imposto de Renda, e as filas de espera para obter uma podiam durar anos.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1980 o Brasil tinha cerca de 121 milhões de habitantes, mas apenas aproximadamente 4,8 milhões de linhas telefônicas instaladas, demonstrando a baixa disponibilidade do serviço no país naquele período.
Marco regulatório e expansão
A transformação no setor ocorreu com a aprovação da Lei Geral de Telecomunicações, em 1997, que reformulou o sistema brasileiro de telecomunicações. A legislação abriu caminho para a privatização do sistema Telebrás e permitiu a criação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável pela regulação e fiscalização do setor.
Segundo o conselheiro da Anatel, Octavio Pieranti, a forma de utilização do telefone mudou profundamente nas últimas décadas.
“Estamos em uma realidade bem diferente daquela de 150 anos atrás, com telefones fixos sobre as mesas, em que cada um pegava o aparelho para discar e falar com outras pessoas. Hoje, o telefone está presente no nosso dia a dia para um número muito maior de funções. Agora acessamos bancos, redes sociais, aplicativos de mensagens e muito mais”, afirmou.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 20 milhões de assinantes de telefonia fixa, enquanto os acessos à telefonia móvel chegam a aproximadamente 270 milhões.
Avanço tecnológico e 5G
A evolução da comunicação também acompanhou o avanço das redes móveis. Após as tecnologias 2G e 3G, que popularizaram o celular e os primeiros acessos à internet móvel, o 4G ampliou a velocidade da conexão e possibilitou o uso massivo de aplicativos, redes sociais e serviços de streaming.
Nos anos 2020, o avanço chegou com o 5G, tecnologia que oferece maior velocidade, menor tempo de resposta e capacidade para conectar milhões de dispositivos.
De acordo com dados recentes, o Brasil já ultrapassou a marca de 58 milhões de linhas 5G ativas, representando cerca de 21,5% da base móvel nacional. O sinal da nova geração já está disponível para mais de 65% da população brasileira, alcançando mais de 2 mil municípios.
Olhar para o futuro
Mesmo com o avanço do 5G, novas tecnologias já estão sendo desenvolvidas. A expectativa é que o 6G comece a chegar ao mercado por volta de 2030, ampliando ainda mais as possibilidades de conectividade.
Para Octavio Pieranti, o telefone — hoje representado principalmente pelo smartphone — tende a se consolidar cada vez mais como o principal portal de acesso a serviços digitais.
“Para o futuro, com a massificação da inteligência artificial, o aparelho celular tende a se consolidar como o principal receptor e porta de acesso a todo tipo de serviço. Desde serviços de governo até a transmissão de conteúdos audiovisuais”, destacou.
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