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Prisão de Maduro divide senadores entre críticas aos EUA e expectativa por democracia

  • 6 de jan.
  • 3 min de leitura
Prisão de Maduro divide senadores entre críticas aos EUA e expectativa por democracia
Divulgação
A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, ocorrida no sábado (3) durante uma ação militar dos Estados Unidos, repercutiu entre senadores brasileiros nas redes sociais. Enquanto parlamentares alinhados ao governo demonstraram preocupação com a violação da soberania venezuelana e os riscos de precedentes perigosos para a estabilidade regional, integrantes da oposição comemoraram a captura e defenderam a reconstrução do país por meio da democracia.

Violação da soberania
Parlamentares governistas criticaram a atuação do governo norte-americano e afirmaram que a prisão de Maduro configura violação à soberania e à independência da Venezuela. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), defendeu uma atuação mais firme da comunidade internacional.

"Um país soberano não pode ser invadido por outro país. Eu não tenho dúvida de que o foco é o controle do petróleo na região. É algo totalmente fora das normas internacionais. Um país não pode se transformar em ameaça para outro. Não podemos apenas ficar assistindo da arquibancada, porque amanhã pode acontecer algo semelhante em qualquer país da América Latina", afirmou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) avaliou que a ação dos Estados Unidos ameaça a paz mundial.

“Os Estados Unidos não atacaram apenas a Venezuela. Violaram o direito e toda a comunidade internacional. O multilateralismo está em risco e muita coisa está em jogo. Este tipo de ato de uma nação sobre outra nação soberana não pode ser normalizado”, declarou.

Na mesma linha, Renan Calheiros (MDB-AL) considerou injustificável o ataque à soberania venezuelana.

“É uma invasão ilegal, intervencionista e inaceitável. Ela exige uma enfática condenação mundial e reações imediatas dos organismos internacionais”, disse.

A senadora Zenaide Maia (PSD-RN) classificou a operação como um precedente perigoso, especialmente para a América Latina.

"O Brasil não reconheceu a vitória de Maduro nas eleições de 2024. Somos firmes na defesa da democracia e contra regimes autoritários. Mas estejamos atentos: o que Trump fez não foi em nome dos venezuelanos nem da democracia, e sim por interesse na riqueza petrolífera do país", afirmou.

Reconstrução
Na oposição, senadores celebraram a prisão de Maduro e manifestaram expectativa de que o país se reconstrua democraticamente. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), defendeu uma postura clara do Brasil.

“A política externa brasileira deve ser guiada por valores claros: defesa da democracia, dos direitos humanos e do combate ao terrorismo.”

O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) parabenizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que a ação representa defesa da democracia no continente.

“A captura de Nicolás Maduro enfrenta uma ditadura que oprime seu povo e exporta instabilidade. Enquanto Lula foi conivente, Roraima pagou o preço da crise migratória. A liberdade começa a ser devolvida ao povo venezuelano e também ao Brasil”, declarou.

Marcos Rogério (PL-RO) afirmou esperar que a queda de Maduro marque o início de uma transição política.

“Chegou o momento de colocar um ponto final em um regime que perseguiu, oprimiu e empurrou milhões de venezuelanos para a fome e para o exílio.”

Complexidade
Alguns parlamentares destacaram a complexidade do cenário internacional. Para o senador Eduardo Braga (MDB-AM), a diplomacia é o único caminho possível.

“Não há lado positivo: os EUA não ganharão com essa invasão, e a defesa de Maduro é insustentável diante do que se vê. Um cenário de perdas para todos”, afirmou.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), criticou ambos os lados envolvidos no conflito.

“Dois homens com distúrbios mentais. Maduro fraudou loucamente as eleições e impôs uma ditadura de esquerda. O outro, Trump, ganhou no voto a eleição da maior potência do mundo e usa a força contra a soberania dos venezuelanos e o direito internacional. Dois errados nunca acertam.”

Tensão internacional
Ainda no sábado (3), a Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado divulgou nota informando que acompanha com preocupação a situação da fronteira brasileira com a Venezuela e a condição de brasileiros que se encontram no país.
O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), defendeu, se necessário, a convocação de reuniões extraordinárias da comissão e da Comissão Representativa do Congresso Nacional.

“A CRE está ciente de que os eventos estão em desenvolvimento e terão consequências de curto, médio e longo prazos”, diz trecho da nota.

A crise na Venezuela atingiu um novo patamar de tensão no sábado (3), quando uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados aos EUA, onde devem responder a processos federais por acusações relacionadas a tráfico de drogas e terrorismo.

Como desdobramento, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi declarada presidente interina pelo Supremo Tribunal venezuelano, enquanto o tema passou a ser debatido em sessão extraordinária do Conselho de Segurança da ONU nesta segunda-feira (5).
Fonte: AgSenado

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Gazeta de Varginha

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