Projeto para ligar Varginha ao Porto de Angra prevê reativação de linha férrea
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A proposta de reativação da linha férrea no Sul de Minas avançou com um projeto logístico que prevê a ligação da região ao Porto de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Atualmente, os velhos trilhos que cortam Varginha encontram-se tomados pelo mato e cobertos pelo asfalto urbano. A estrutura, que no passado serviu como rota comercial, atravessa áreas urbanas e rurais, e a possibilidade de ver as composições circulando novamente desperta sentimentos que variam entre o receio de impactos estruturais e a nostalgia dos moradores.
Quem vive perto do antigo traçado manifesta preocupação com as consequências da retomada. A proximidade das moradias com a linha gera receio de que o peso dos trens provoque trepidações e rachaduras nas casas. Originalmente, os trilhos chegam à localidade vindos de Três Corações, cruzando a comunidade rural do Juriti e bairros povoados como Damasco, Jardim Simões, Parque Nossa Senhora das Graças, Jardim Andere, Vila Floresta, Três Bicas, Centro, Campos Elíseos e Vila Paiva.
Diante do crescimento populacional, as diretrizes do projeto apontam que o trem de carga não passará pela área central das cidades, priorizando as extremidades do município para a criação de um entreposto, sem desalojar moradores. O empreendimento pretende estabelecer um corredor logístico dividido em três trechos: o ramal sul-mineiro ligará Varginha a Lavras, a conexão interestadual começará em Arcos com destino a Barra Mansa, e o terceiro trecho seguirá rumo ao litoral fluminense.
Para o setor produtivo, a ferrovia representa uma alternativa logística fundamental. O diretor do Porto Seco, Matheus Paiva, ressalta que os exportadores de café enfrentam gargalos no transporte rodoviário até o Porto de Santos, devido ao tráfego da Rodovia Fernão Dias e aos prazos rígidos de contêineres. O modal ferroviário garante maior previsibilidade de entrega, reduz custos com seguro de carga e frete pela metade, além de apresentar menor emissão de carbono em comparação com os caminhões. Nas comunidades rurais, o avanço do projeto também é acompanhado com atenção. Moradores que residem há décadas perto dos trilhos apontam que o retorno da atividade exigirá cuidados redobrados com a segurança das crianças que brincam nas proximidades. Apesar dos riscos e da necessidade de vigilância constante, existe uma expectativa comunitária em torno do retorno do som característico das locomotivas, que há muitos anos deixou de fazer parte do cotidiano local.
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