Quadrilha que desviou R$ 45 milhões de clientes da Caixa teve acesso antecipado a documento sigiloso da Justiça, aponta investigação
3 de ago.
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A investigação da Polícia Federal sobre um esquema de fraudes contra clientes da Caixa Econômica Federal revelou que integrantes da organização criminosa tiveram acesso antecipado a uma decisão da Justiça Federal protegida por segredo de Justiça. O documento autorizava a operação policial contra o grupo e chegou às mãos dos investigados antes do cumprimento dos mandados, permitindo que eles adotassem medidas para ocultar provas e proteger parte do patrimônio.
Segundo a apuração, a quadrilha é suspeita de desviar cerca de R$ 45 milhões de correntistas da Caixa por meio de fraudes eletrônicas. Durante a análise dos celulares apreendidos, os investigadores encontraram uma cópia da decisão judicial e mensagens que indicavam que os suspeitos discutiam formas de "blindar o patrimônio" após tomarem conhecimento da futura operação policial. A descoberta levou a PF a abrir uma nova frente de investigação para apurar como o documento sigiloso foi obtido pelo grupo.
De acordo com a investigação, três servidores da Justiça Federal são suspeitos de participar do vazamento das informações protegidas. Um deles teria acessado o processo sem possuir atribuição funcional para isso e, conforme a Polícia Federal, seria responsável por repassar dados sigilosos aos investigados mediante pagamento. Os investigadores também identificaram acessos ao processo realizados por meio de uma conexão de internet vinculada ao escritório de advocacia onde trabalha a esposa desse servidor.
A investigação ainda aponta movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada de pessoas ligadas ao caso. As defesas dos investigados afirmaram que eles não possuem qualquer relação com os fatos apurados. Já os advogados dos integrantes da organização criminosa citados na investigação não haviam se manifestado até a exibição da reportagem.
Outro elemento identificado pela Polícia Federal foi um áudio encontrado no celular de um dos investigados em que ele comenta a possibilidade de mandar matar o delegado responsável pelo inquérito. Segundo a investigação, o plano não chegou a ser executado, mas o conteúdo foi incorporado às apurações por demonstrar o grau de organização do grupo criminoso.
As investigações seguem em andamento. Segundo a reportagem, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal solicitaram novos mandados de busca e apreensão para aprofundar a apuração sobre o suposto vazamento de informações protegidas por segredo de Justiça. O Tribunal Regional Federal foi procurado, mas não havia se pronunciado sobre o caso até a publicação da reportagem.
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