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Rússia avalia que fim de tratado nuclear aumenta riscos à segurança global

  • gazetadevarginhasi
  • há 5 dias
  • 4 min de leitura
Reprodução
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Autoridades russas afirmaram nesta terça-feira (3) que o encerramento do Tratado New START, acordo de controle de armas nucleares firmado com os Estados Unidos, representaria um impacto negativo significativo para a segurança global. Ao mesmo tempo, o governo da Rússia declarou estar preparado para um cenário internacional em que não existam mais limites formais para arsenais nucleares.

O New START regula os arsenais das duas maiores potências nucleares do mundo, Rússia e Estados Unidos, países que possuem mais de cinco mil ogivas nucleares cada. O tratado foi assinado em 2010 e está em vigor entre os dois países, mas pode expirar nesta quinta-feira caso não haja um entendimento de última hora — possibilidade considerada improvável diante da ausência de sinais concretos de negociação.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o fim do acordo pode elevar rapidamente os riscos globais. Ele afirmou: "Caso os limites estabelecidos pelo Tratado New START não sejam prorrogados, o mundo poderá se encontrar, já em poucos dias, em uma situação mais perigosa".

Peskov confirmou que a Casa Branca não respondeu à proposta apresentada pelo presidente russo, Vladimir Putin, que sugeriu a prorrogação informal de alguns compromissos do tratado por mais um ano. Apesar disso, a Rússia não pretende enviar um protesto formal aos Estados Unidos pelo encerramento do acordo, segundo declarou o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergey Ryabkov.

Ryabkov afirmou que Moscou está preparada para um novo cenário global sem limites para armas nucleares e destacou que a tríade nuclear russa — composta por sistemas de lançamento terrestre, aéreo e submarino — se encontra em estágio avançado de modernização.

Ao comentar o momento atual, Ryabkov declarou: "Nós calculávamos que isso poderia acontecer, não há nada de inesperado, e tampouco vemos motivos para dramatizar a situação atual. Mas uma coisa é fato: estamos perdendo elementos estabilizadores da antiga arquitetura [mundial]. (...) Este é um novo momento, uma nova realidade — estamos prontos para isso".

Apesar disso, o vice-chanceler afirmou que a Rússia não pretende reagir ao que chamou de provocações para iniciar uma corrida armamentista nuclear. Ele alertou, no entanto, que o país poderá ser obrigado a adotar medidas caso os Estados Unidos reforcem de forma significativa seus sistemas de defesa antimísseis na Groenlândia.

As declarações de Ryabkov diferem da posição expressa anteriormente pelo presidente Vladimir Putin. Em outubro, o líder russo afirmou que "a corrida armamentista já começou" e declarou que a Rússia estaria disposta a realizar testes nucleares para espelhar seus rivais.

A possível expiração do Tratado New START reflete o atual nível de tensão entre Moscou e Washington, que se manteve elevado ao longo de 2025, apesar de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin e das declarações do líder norte-americano afirmando ser amigo do chefe do Kremlin.

De acordo com agências de notícias russas, Ryabkov está em Pequim nesta terça-feira para participar de consultas sobre estabilidade estratégica. Nos últimos anos, Rússia e China ampliaram sua cooperação em diversas áreas, em meio à intensificação da retórica dos Estados Unidos contra os dois países.

O que é o Tratado New START?

O Tratado New START estabelece limites para o número de ogivas nucleares estratégicas que Estados Unidos e Rússia podem manter em seus arsenais ou implantar em mísseis e armamentos militares ativos.

O acordo foi assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev e entrou em vigor em 2011. Em 2021, após a posse de Joe Biden, o tratado foi prorrogado por mais cinco anos, com data de expiração prevista para 5 de fevereiro de 2026.

Pelo tratado, cada país se compromete a não implantar mais do que 1.550 ogivas nucleares estratégicas e 700 mísseis ou bombardeiros de longo alcance. O acordo também prevê a realização de até 18 inspeções anuais em instalações estratégicas de armas nucleares para garantir o cumprimento dos limites estabelecidos.

As inspeções foram suspensas em março de 2020 em razão da pandemia da Covid-19. Negociações para a retomada desse mecanismo estavam previstas para novembro de 2022, no Egito, mas foram adiadas pela Rússia e não tiveram nova data definida.

Enfraquecimento do controle internacional de armas

O possível fim do New START ocorre em um contexto de desmonte gradual da rede de acordos internacionais criada após a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, com o objetivo de reduzir o risco de uma guerra nuclear. Esse processo se intensificou em meio à guerra na Ucrânia, ao aumento das tensões entre Moscou e o Ocidente e às preocupações dos Estados Unidos com o crescimento do arsenal nuclear da China.

Os Estados Unidos sugeriram que Pequim participe das negociações de controle de armamentos, mas o governo chinês não demonstrou interesse. Ryabkov afirmou que a Rússia respeita a posição da China sobre o tema.

O ex-presidente norte-americano Barack Obama alertou para os riscos da expiração do tratado. Em publicação na rede social X, ele escreveu: “Se o Congresso não agir, o último tratado de controle de armas nucleares entre os EUA e a Rússia expirará (...) Isso apagaria inutilmente décadas de diplomacia e poderia desencadear outra corrida armamentista, tornando o mundo menos seguro”.

Dmitry Medvedev afirmou que o mundo deveria ficar alarmado caso o tratado termine sem qualquer entendimento posterior, alertando que isso poderia acelerar o avanço simbólico do chamado Relógio do Juízo Final.

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Gazeta de Varginha

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