Rússia realiza maior ataque com mísseis e drones de 2026 contra a Ucrânia e atinge infraestrutura energética
gazetadevarginhasi
há 5 dias
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A Rússia realizou, na terça-feira (3), o maior ataque do ano com mísseis e drones contra a Ucrânia, conforme relataram autoridades ucranianas. A ofensiva deixou milhares de pessoas sem aquecimento em meio a uma queda acentuada das temperaturas.
O ataque ocorreu poucos dias após o presidente russo, Vladimir Putin, ter concordado em interromper ofensivas contra grandes centros urbanos ucranianos e contra a infraestrutura energética até domingo (1°). A decisão, segundo o Kremlin, atendeu a um “pedido pessoal” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa trégua temporária foi resultado de negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e EUA realizadas em Abu Dhabi — as primeiras desde a invasão russa iniciada em fevereiro de 2022.
De acordo com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a ofensiva russa atingiu instalações energéticas em ao menos seis regiões do país. Ele afirmou que foram utilizados 70 mísseis e 450 drones, número que, segundo um levantamento da CNN, caracteriza o maior ataque registrado neste ano até agora.
“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar as pessoas é mais importante para a Rússia do que recorrer à diplomacia”, declarou Zelensky nesta terça-feira.
Na capital Kiev, quase 1.200 prédios residenciais em dois distritos ficaram sem aquecimento, segundo informou o prefeito Vitaliy Klitschko. Além disso, um jardim de infância sofreu danos, conforme relatado por Tymur Tkachenko, chefe da administração militar da cidade, em publicação no Telegram.
O Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia confirmou que pelo menos três pessoas ficaram feridas durante o ataque à capital. Um vídeo divulgado pelo órgão mostra um prédio em chamas e equipes de resgate atuando durante a noite sob condições de frio extremo.
Em Odessa, no sul do país, a administração militar regional informou que mais de 50 mil moradores ficaram sem fornecimento de energia elétrica. Já em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, ataques com mísseis e drones atingiram a infraestrutura energética local, deixando ao menos 820 prédios altos sem aquecimento. A informação foi divulgada pelo prefeito Ihor Terekhov no Telegram.
“O objetivo é óbvio: causar o máximo de danos e deixar a cidade sem aquecimento em meio a uma forte geada”, afirmou Terekhov.
No leste do país, a cidade de Dnipro foi atingida por mísseis balísticos, segundo a Força Aérea Ucraniana. Em Kiev, a população permaneceu sob alerta aéreo por cerca de sete horas, enquanto o ataque acontecia em um dos períodos mais frios do inverno.
Na manhã desta terça-feira, os termômetros marcavam -20 °C na capital ucraniana e -25 °C em Kharkiv. Moradores de Kiev foram vistos buscando abrigo no metrô, protegidos com casacos pesados, gorros, cobertores e sacos de dormir.
Segundo autoridades ucranianas, esta foi a primeira vez desde a última quinta-feira (29) que ataques atingiram grandes cidades e instalações de energia. Ainda assim, durante o período de trégua, a Rússia manteve ofensivas contra rotas logísticas e infraestrutura de transporte, com consequências fatais.
“No frio congelante, os russos decidiram lançar outro ataque massivo contra Kiev”, afirmou Tkachenko após os bombardeios registrados na madrugada desta terça.
Ataques a termelétricas e impacto no sistema energético
A DTEK, maior empresa privada de energia da Ucrânia, informou que os ataques da madrugada desta terça-feira (3) atingiram usinas termelétricas, provocando danos a infraestruturas e equipamentos energéticos considerados críticos “num momento em que o aquecimento e a eletricidade são essenciais”.
O CEO da empresa relatou à CNN que a DTEK opera atualmente cinco usinas termelétricas no país, sendo que duas estão fora de operação e as outras três funcionam com capacidade reduzida. Maxim Timchenko concedeu entrevista na segunda-feira (2), em Dnipro, e afirmou que as próximas semanas serão decisivas, já que a Ucrânia enfrenta temperaturas em “queda livre” e vive a “pior condição do nosso sistema energético na história moderna”.
Segundo ele, embora a empresa esteja empenhada em reparar os danos provocados pelos ataques russos repetidos, as condições climáticas de congelamento frequentemente impedem os trabalhos. A expectativa agora é que o cessar-fogo energético anunciado na semana passada — que teria garantido cinco dias sem ataques às usinas da DTEK — seja estendido durante as negociações em Abu Dhabi.
No domingo (1°), a empresa informou que Moscou realizou um “ataque em grande escala” contra suas minas de carvão, atingindo um ônibus que transportava mineiros ao fim do turno. Pelo menos 12 pessoas morreram na ação.
Novas negociações diplomáticas
Antes das negociações em Abu Dhabi, a Rússia havia intensificado os ataques à infraestrutura energética ucraniana, deixando extensas regiões do país enfrentando apagões e escassez de energia em pleno inverno.
O Kremlin confirmou que uma nova rodada de negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e Estados Unidos, com o objetivo de buscar o fim do conflito, está marcada para esta quarta-feira (4) e quinta-feira (5), também em Abu Dhabi.
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