Safra 2026/27 pode marcar virada para o produtor rural com estoques menores e risco climático elevado
há 7 minutos
2 min de leitura
Reprodução
O produtor rural brasileiro ainda enfrenta juros altos, endividamento e dificuldade de crédito, mas a safra 2026/27 pode representar uma virada no cenário agrícola. É o que aponta avaliação do economista Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y. A combinação de oferta mundial menos folgada, estoques reduzidos e risco climático elevado pode reverter a queda de preços e devolver rentabilidade ao campo — embora a melhora não deva ocorrer de forma imediata.
Nos últimos anos, os preços elevados estimularam forte expansão da produção. O Brasil adicionou cerca de 50 milhões de toneladas de soja e milho ao mercado em curto intervalo de tempo. O aumento da oferta pressionou os preços para baixo justamente quando os produtores haviam se endividado para investir em máquinas, terras e insumos. Com a alta dos juros, de 3% para quase 15%, a capacidade de financiamento encolheu e a inadimplência cresceu. Agora, o produtor corta custos e reduz investimentos — o que, por sua vez, limita o ritmo de crescimento da oferta.
O ponto de inflexão pode vir do clima. Modelos meteorológicos apontam para um El Niño potencialmente muito forte, com risco de excesso de chuvas no Sul e períodos de seca no Norte e Nordeste. A distribuição irregular das precipitações pode comprometer a produtividade em áreas importantes. A projeção preliminar é de possível quebra de 12 milhões de toneladas na soja brasileira. Com estoques já reduzidos, qualquer choque de oferta tende a provocar reação muito mais forte nos preços.
O mercado já começa a sinalizar a mudança. Investidores passaram a operar na expectativa de alta para grãos. Se o consumo continua crescendo e a produção deixa de acompanhar, a escassez relativa pode devolver poder de negociação ao produtor. A melhora nas margens, porém, dependerá de uma combinação de fatores: preços, custos, crédito e intensidade dos problemas climáticos. A virada pode estar em curso, mas o produtor chega descapitalizado e ainda levará tempo para recuperar fôlego financeiro.
Comentários